Toda a verdade sobre o islamismo

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
Papas, santos e doutores da Igreja Católica
mostram o que é o Islã, Maomé e o Corão



São Tomás de Aquino:
no islamismo acreditaram homens animalizados,
ignorantes da doutrina divina,
que obrigaram os outros pela violência das armas


São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristotes, esmaga Averroes, 'sábio' maometano
São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristóteles,
esmaga Averroes, 'sábio' maometano
O que achar do islamismo e de seus prosélitos? Como interpretar os crimes que estão praticando contra os cristãos, sua adesão ao Corão (Livro) de Maomé, e as tentativas de diálogo e ecumenismo com eles?

São Tomás nos ensina com a concisão e a sabedoria do maior mestre e Doutor da doutrina e do método de pensamento da Igreja Católica:
“Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

“Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos.

“Mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar milagres para confirmação da fé.

“No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé (o fundador do Islã):

Militantes do ISIL no Iraque
Militantes do ISIL no Iraque
“a) Ele (Maomé) seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência.

“b) Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne.

“c) Além disso, não apresentou testemunhos da verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas.

“d) Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há conveniente testemunho da inspiração divina, enquanto uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da verdade está inspirado de modo invisível.

“Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos.

“e) Ademais, desde o início, homens sábios, versados em coisas divinas e humanas, nele não acreditaram.

Chefe do Boko Haram e sequazes na Nigéria
Chefe do Boko Haram e sequazes na Nigéria
Nele, porém, acreditaram homens que, animalizados no deserto, eram totalmente ignorantes da doutrina divina. No entanto, foi a multidão de tais homens que obrigou os outros a obedecerem, pela violência das armas, a uma lei.

“f) Finalmente, nenhum dos oráculos dos profetas que o antecederam dele deu testemunho, visto que ele deturpou com fabulosas narrativas quase todos os fatos do Antigo e do Novo Testamento.

“Tudo isso pode ser verificado ao se estudar a sua lei. Já também por isso, e de caso sagazmente pensado, não deixou para leitura de seus seguidores os livros do Antigo Testamento, para que não o acusassem de impostura.

“g) Fica assim comprovado que os que lhe dão fé à palavra creem levianamente”.

(Autor: São Tomás de Aquino. Suma contra los Gentiles. Livro I, Capítulo VI, Club de Lectores, Buenos Aies, 1951, 321. p.76 e ss.).



São João Bosco:
Quem foi Maomé?


São João Bosco é um dos maiores formadores de gerações inteiras de católicos
São João Bosco é um dos maiores formadores
de gerações inteiras de católicos
Em sua renomeada obra “História Eclesiástica”, don Bosco nos ensina quem foi Maomé, fundador do islamismo e como fez para espalhar suas crenças, conseguir adeptos e atacar a Terra Santa, a Cristandade e a todos os que não pensavam como ele.

Com linguagem didática, o santo educador nos expõe brevemente toda a verdade básica sobre o Islã.

Maomé e sua religião


Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai gentio e mãe judia.

Errando em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o nomeou seu procurador e mais tarde casou-se com ele.

Como era epilético, soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha inventado e afirmava que suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o arcanjo Gabriel.

A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta.

Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força.

Não existem imagens fidedignas de Maomé. Na foto, ilustração de um manuscrito otomano do século XVII.
Não existem imagens fidedignas de Maomé.
Na foto, ilustração de um manuscrito otomano do século XVII.
Ditou suas crenças em árabe e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o seguinte milagre, ridículo em sumo grau.

Disse que tendo caído um pedaço da lua em sua manga, ele soube fazê-la voltar a seu lugar; por isso os maometanos tomaram por insígnia a meia lua.

Sendo conhecido por homem perturbador, seus concidadãos trataram de dar-lhe morte; sabendo disto o astuto Maomé fugiu e retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da cidade.

Esta fuga de Maomé se chamou Egira, isto é, perseguição; e desde então começou a era muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era.

O Alcorão está cheio de contradições, repetições e absurdos. Não sabendo Maomé escrever, ajudaram-no em sua obra um judeu e um monge apóstata da Pérsia chamado Sérgio.

Como o maometismo favorecesse a libertinagem teve prontamente muitos sequazes; e como pouco depois se visse seu autor à frente de um formidável exército de bandidos, pode com suas palavras e ainda mais com suas armas introduzi-lo em quase todo o Oriente.

Maomé depois de ter reinado nove anos tiranicamente, morreu na cidade de Medina no ano 632.

(Fonte: São João Bosco, “Storia Ecclesiastica ad uso della gioventù utile ad ogni grado di persone”, 4ª ed. melhorada, Turim, Tipografia do Oratorio de San Francesco de Sales, 1871).



São João Bosco:
O que ensinam o islamismo, Maomé e o Corão?


Maomé no inferno (acima na direita). Giovanni di Pietro Falloppi, ou da Modena (1379 – 1455), Cappella Bolognini.
Maomé no inferno (acima na direita). Giovanni di Pietro Falloppi,
ou da Modena (1379 – 1455), Cappella Bolognini, Bolonha, Itália.
São João Bosco, mestre da juventude, é famoso também por ser autor de numerosos livros de ilibada formação religiosa católica.

Entre esses está o livro “O católico educado em sua religião: Colóquios de um pai de família com seus filhos segundo as necessidades do tempo, com epílogo do Sacerdote João Bosco”.

Esse livro foi publicado por vez primeira em 1853 e teve incontáveis edições, sendo usado pelos sacerdotes da egrégia congregação salesiana na sua labor evangelizadora e educadora em todos os continentes.

Também foi muito usado pelos pais de família católicos que desejam dar uma boa formação aos filhos.

O texto completo, em italiano, tirado das obras completas do grande santo, pode ser descarregado em PDF clicando aqui: "O católico instruido em sua religião" ("Il cattolico istruito nella sua religione".

O livro está redigido em forma de diálogos entre um pai de família preocupado com a salvação da alma dos filhos, e o filho mais velho, que fala em nome de todos os outros irmãos.

Reproduzimos a continuação o diálogo nº13 sobre o Islamismo, ou maometanismo.



Diálogo XIII. O Maometanismo.


Pai – Sem dúvida, não há ciência mais importante para um católico do que aquela que o instrui na sua religião. Ciência importante e, ao mesmo tempo, muitíssimo consoladora, porque tem uma base tão certa e tão clara, que todos os seus relatos nos fazem reconhecer o concurso da Onipotência divina.

Esta religião de Jesus Cristo, que se conserva somente na Igreja Católica Romana, segundo as palavras do mesmo Salvador, vai ser perseguida de alguma forma, mas jamais vencida.

Em todos os tempos, em meio às perseguições mais sangrentas, Ela soube conservar-se qual imóvel coluna, sempre gloriosa, sempre visível, sempre vitoriosa, sem nunca utilizar outra arma senão a da caridade e da paciência.

Esta sua invariabilidade, conservada desde os tempos de Jesus Cristo até nós, não pode ser atribuída senão à Onipotência divina.

São João Bosco, mestre da mocidade católica.
São João Bosco, mestre da mocidade católica.
Estabelecidos assim os fundamentos da nossa Santa Religião Católica, quero entretê-los um pouco mais sobre alguns acontecimentos curiosos: refiro-me àquelas religiões que eram unidas à Igreja Católica e que depois de algum tempo se separaram.

Filho – Muito bem, muito bem. Desejo saber sobre isso há longo tempo. Quais são essas religiões que se separaram a certa altura da Igreja Católica?

Pai – Antes de lhe falar sobre as religiões que se separaram em certo momento da Igreja Católica Romana, quero fazer-lhe notar as religiões que não têm os caracteres da divindade, as quais nós chamamos de falsas religiões, que podem ser reduzidas ao judaísmo, à idolatria, ao maometanismo e às seitas cristãs professadas pelos gregos cismáticos, valdenses, anglicanos e protestantes.

Sobre a idolatria creio que não é o caso de falar, porque em nossos dias, com exceção de pouquíssimos países nos quais ainda não pôde penetrar a luz do Evangelho, ela não existe mais.

Sobre o judaísmo parece-me que já lhe falei suficientemente na primeira parte destes nossos colóquios. Se lhe aprouver, falarei das outras, começando pelo maometanismo.

Filho – Sim, sim, comece por dizer o que se entende por maometanismo.

Pai – Por maometanismo se entende uma coleção de máximas extraídas de várias religiões, que praticadas conduziram à destruição de todos os princípios da moralidade.

Filho – Como se iniciou o maometanismo?

Pai – O maometanismo iniciou-se com Maomé.

Filho – Oh! Daquele Maomé de quem sentíamos ouvir falar com muito comprazimento: diga tudo o que sabe sobre ele.

Pai – Seria muito longo referir tudo o que as histórias contam sobre este famoso impostor: procurarei apenas fazer conhecer quem foi ele e como fundou a sua religião.

Maomé nasceu em uma família pobre, de pai pagão e mãe judia, no ano de 570, em Meca, cidade da Arábia pouco distante do Mar Vermelho.

Ávido de glória e ansioso por melhorar sua condição, vagou por diversos países e conseguiu tornar-se agente de uma mercadora de Damasco, que mais tarde o desposou.

Ele era tão astuto, que soube aproveitar-se de sua doença e de sua ignorância para fundar uma religião.

Sofrendo de epilepsia, afirmava que aquelas suas frequentes quedas eram raptos durante seus colóquios com o Anjo Gabriel.

Maomé propagou a sua religião pela força das armas, e  favorecendo toda libertinagem, foi chefe de um formidável bando de salteadores.
Maomé propagou a sua religião pela força das armas, e
favorecendo toda sorte de libertinagem,
foi chefe de um formidável bando de salteadores.

Filho – Que impostor, enganar as pessoas dessa maneira! Ele também vai tentar fazer milagres que confirmem a sua pregação?

Pai – Maomé não poderia fazer nenhum milagre para confirmar a sua religião, porque ele não era enviado por Deus. Só Deus é autor dos milagres.

Como, no entanto, ele se julgava superior a Jesus Cristo, imediatamente lhe perguntaram se também não poderia fazer milagres. Ele respondeu com orgulho que já os tinha feito.

Contudo, gabava-se de ter operado um, e dizia que, tendo caído um pedaço da lua em sua manga, ele tinha sabido colá-la de novo; em memória desse milagre ridículo os maometanos tomaram como símbolo a meia-lua.

Vocês riem, ó meus filhos, e com razão, porque um homem assim devia antes ser considerado um charlatão, e não o pregador de uma nova religião.

Precisamente por isso se espalhou a fama de que ele era um impostor, um perturbador da tranquilidade pública, e seus compatriotas queriam prendê-lo e condená-lo à morte.

Após isso ele fugiu, retirando-se na cidade de Medina com alguns libertinos que o ajudaram a tornar-se mestre.

Filho – No que consiste propriamente a religião de Maomé?

Pai – A religião de Maomé consiste numa monstruosa mistura de judaísmo, paganismo e cristianismo.

O livro da lei muçulmana é chamado Alcorão [o Corão], ou seja, libro por excelência.

Essa religião é também chamada de turca, porque é muito difundida na Turquia; ou muçulmana de Musul, nome que os maometanos dão ao dirigente da oração; ou islamismo, nome tomado de alguns de seus reformadores; mas é sempre a mesma religião fundada por Maomé.

Filho – Por que Maomé fez essa mistura de várias?

Pai – Como os povos da Arábia eram constituídos uma parte por judeus, outra parte por cristãos, e os outros pagãos, para induzir todos a segui-lo, ele tomou uma parte da religião professada por eles e deu preferência especialmente àqueles pontos que podem incentivar mais os prazeres sensuais.

Maomé envolvido em chamas liderando as orações de Abraão, Moisés, Jesus e outros. Iluminura persa. Ele se achava superior até de Jesus Cristo e de todos os profetas.
Maomé envolvido em chamas liderando as orações de Abraão, Moisés, Jesus e outros.
Iluminura persa. Ele se achava superior até de Jesus Cristo e de todos os profetas.
Filho – É verdade que Maomé fosse um homem douto?

Pai – De fato não, ele nem sequer sabia escrever; e para compor o seu Alcorão, foi ajudado por um judeu e por um monge apóstata.

Falando de coisas contidas na História Sagrada, ele confunde um fato com o outro; por exemplo, atribuiu a Maria, irmã de Moisés, mais fatos que os relativos a Maria, mãe de Jesus Cristo, com muitíssimos outros absurdos.

Filho – Isto me deixa curioso: se Maomé era ignorante e não fez nenhum milagre, como poderia propagar a sua religião?

Pai – Maomé propagou a sua religião não com milagres ou com a persuasão das palavras, mas pela força das armas.

Religião que, favorecendo toda sorte de libertinagem, em curto espaço de tempo tornou Maomé chefe de um formidável bando de salteadores.

Juntamente com esses ele percorria os países do Oriente, ganhando os povos não com a pregação da verdade, com milagres ou profecias, mas com o único argumento de erguer a espada sobre a cabeça dos vencidos, gritando: acreditar ou morrer.

Filho – Canalha, esses são argumentos a serem usados para converter as pessoas? Sem dúvida, sendo Maomé tão ignorante, terá disseminado muitos erros no Alcorão.

Pai – Pode-se dizer que o Alcorão é uma série de erros os mais gritantes contra a moral e o culto do verdadeiro Deus.

Por exemplo, escusa de pecado aquele que nega a Deus por temor da morte; permite a vingança; assegura aos seus sequazes um paraíso, mas cheio apenas de prazeres mundanos.

Em suma, a doutrina desse falso profeta permite coisas tão obscenas, que a alma cristã tem horror de nomear.

Maomé no inferno com as vísceras abertas. Ilustração de Gustave Doré (1832 – 1883) para a Divina Commedia de Dante Alighieri.
Maomé no inferno com as vísceras abertas.
Ilustração de Gustave Doré (1832 – 1883) para
a Divina Commedia de Dante Alighieri.
Filho – Que diferença existe entre a Igreja cristã e a muçulmana?

Pai – A diferença é enorme.

Maomé fundou a sua religião com a violência e com as armas: Jesus Cristo fundou a sua Igreja com palavras de paz, servindo-se de seus discípulos pobres.

Maomé fomentava as paixões, Jesus Cristo ordenava a negação de si mesmo.

Maomé não fez milagre algum, Jesus Cristo operou um número incontável à luz do dia e na presença de multidões inumeráveis.

As doutrinas de Maomé são ridículas, imorais e corruptoras; as de Jesus Cristo são augustas, sublimes e puríssimas.

Em Maomé não se cumpriu profecia alguma; em Jesus Cristo todas.

Em suma, a Religião Cristã, de alguma maneira torna feliz o homem neste mundo para conduzi-lo depois ao gozo do Céu; Maomé degrada e avilta a natureza humana,

E, fazendo consistir a felicidade em apenas os prazeres sensuais, rebaixa o homem ao nível do animais imundos.




Santo Afonso Maria de Ligório:
O islamismo não pode ser verdadeiro


Santo Afonso Maria de Ligório
Santo Afonso Maria de Ligório
O que diz o Corão? O que ensinou Maomé? O que é o islamismo? No que é que os muçulmanos acreditam?

O grande Doutor e moralista da Igreja Santo Afonso Maria de Ligório responde a todas essas perguntas no esclarecedor texto que reproduzimos a continuação:

1. Vejamos em primeiro lugar as qualidades de Maomé, que estabeleceu essa religião, pois elas dizem melhor [sobre] essa seita infame que mandou muitas almas para o inferno.

Ele possuía alguns dons naturais: belo aspecto, inteligência penetrante, cortês no trato, liberal e grato pelos benefícios recebidos.

Mas em contrapartida foi dominado pelo vício da luxúria, que o levou a ter 15 mulheres e mais de 24 concubinas, fingindo contar para isso com a permissão de Deus, pois aos outros ele autorizava ter apenas quatro mulheres; e em seguida, no seu Corão, o grosso da felicidade eterna repousa na imundície da carne.

Ele foi também dominado pelo orgulho, que o fez se tornar por vezes cruel.

Basta dizer que, uma vez identificados os que lhe tinham roubado alguns camelos, ele lhes fez cortar as mãos e os pés, bem como arrancar-lhes os olhos com um ferro quente, deixando-os depois assim até que expirassem.

2. Vejamos agora o que é o Corão de Maomé, e que dogmas e preceitos nele se ensinam.

Corão significa lição, ou seja, livro de lição. Os títulos do livro variam de acordo com suas diversas edições.

Ele se divide em Suratas (capítulos), ou sieno Azoare 114, e as Suratas se dividem em Ayat (versículos), ou seja, de extensões diferentes, que contêm atributos de Deus e preceitos ou julgamentos de coisas maravilhosas, e esses sinais terminam com ritmo correspondente ao verso anterior.

O Corão está escrito em pura língua árabe e com elegância de palavras, afetando uma maneira profética.

Há julgamentos, histórias e exortações.

Aos julgamentos pertencem as leis, assim como para as coisas sacras, as preces, as peregrinações e os jejuns, como para as coisas políticas, os tribunais, os casamentos e a herança.

Às histórias pertencem muitas narrativas, uma parte tomada dos livros sagrados, mas de modo errado, e a outra parte falsa, ou mesmo feita de livros apócrifos, especialmente do Talmud dos judeus.

As exortações se referem em seguida a um convite para a nova religião, à guerra em sua defesa, às orações e às esmolas, ameaçando os transgressores com as penas do inferno e prometendo aos observantes as delícias do paraíso.

Às vezes, ele finge ser Deus, ou o anjo que fala; às vezes, fala também o próprio Maomé, ou aos de Meca, ou aos judeus, ou aos cristãos.

Outras vezes falam os beatos do paraíso abençoado, ou então os condenados do inferno: o Corão é assim uma espécie de drama, no qual são vários os que falam.

3. Os muçulmanos dizem que o Corão não foi composto por Maomé ou por outras pessoas, mas somente por Deus, e por Deus foi dado a Maomé.

Também quanto ao modo e ao tempo, dizem mil ninharias.

Outros dizem que o Corão é eterno, sempre presente ao trono de Deus sobre determinada mesa, onde estavam escritas todas as coisas passadas, presentes e futuras.

Outros dizem que em certa noite do mês Ramadã, no qual eles supõem que Deus dispõe todas as coisas, esse livro desceu do trono divino.

Outros dizem que o Arcanjo Gabriel revelou a Maomé tudo quanto está escrito no Corão. Outros dizem que Maomé recebia de vez em quando alguns versos, que ele fazia guardar em uma caixa; outros dizem outras bobagens.

De resto, nos exemplares que temos hoje do Corão, há muitas lições diferentes que variam de julgamento.

Nossos escritores dizem que o Corão foi composto por Maomé, ou sozinho, ou com a ajuda de certo monge Sergio, ou de outros.

Quem quiser entender mais coisas sobre a escrita do Corão, ler Marraccio na Introdução ao Corão (Part. 4. c. 27).

4. Falando da teologia do Corão, conviria saber que esse livro está repleto de uma mistura confusa de contos de fadas, preceitos e dogmas, todos ineptos, fora aqueles que são tomados da lei judaica e cristã.

Maomé reconhecia como divina tanto a missão de Moisés quanto a de Jesus Cristo, como também reconhecia como legítima a autoridade de nossas escrituras sagradas, pelo menos na sua maior parte, dizendo que as outras eram corruptas.

Também, com a sua pretensa religião (que afirmava ser a mesma de Moisés e Jesus Cristo), ele pretendia reformar e melhorar tanto a religião judaica quanto a cristã.

Mas, na verdade, ele não fez senão formar uma seita que discrepava de uma e de outra.

Maomé acreditava ser um Deus, e na Surata 4 vers. 17 ele mostra que de fato acreditava na Trindade das pessoas na natureza divina: Neque dicant tres (Deos), Deus enim unus est.

Ele acreditava ser de fé existirem anjos, mas dizia que eles têm um corpo, e também que são de sexo diferente; Surata 2 e 7.

Ele dizia ainda que foram destinados dois anjos da guarda para cada homem, e que estes se transformam a cada dia.

Dizia ademais que há anjos e demônios de diferentes espécies, chamados de gênios, que comem e bebem, e que também se propagam e morrem, e que estão sujeitos à futura salvação e danação.

Santo Afonso Maria de Ligório
Santo Afonso Maria de Ligório
5. Há também no Corão muitas coisas indignas de Deus.

Nele se diz (como ainda blasfemam os judeus talmudistas) que Deus foi forçado a dizer uma mentira, para fazer a paz entre Sara e Abraão.

Nele se deduz que Deus jura pelos ventos, pelos anjos, e também pelos demônios; quando Deus só pode jurar por Si mesmo, e não pelas criaturas.

Ademais, na Surata 43 se deduz que Deus ora por Maomé: Cum Deus et angeli propter prophetam exorent.

Na Surata 56, Maomé diz que Deus lhe permitiu violar um juramento.

E na Surata 43, que lhe permitiu poder unir-se com qualquer mulher, mesmo casada e consanguínea.

Então ele fala muitas mentiras.

Na Surata 17, ele escreve que Deus ordenou aos anjos que adorassem Adão, e que todos lhe obedeceram, exceto Belzebu. Ele diz na Surata 13 que Maria, mãe de Jesus, é adorada por nós como Deus.

Na Surata 27, ele diz que foi raptado por Deus ao céu para ser ensinado nos mistérios. Na Surata 25, diz que Deus criou o demônio como um fogo pestilento.

6. Há também no Corão milhares de contradições.

Na Surata 11, ele chama Jesus Cristo de espírito de Deus e seu enviado: Jesus filho de Maria foi seu enviado e seu espírito; e depois nega ser Deus e diz que não foi crucificado, mas que no seu lugar foi crucificado um parecido com ele.

Na própria Surata 11 se diz que ninguém, seja judeu ou cristão, ainda que abandone uma lei por outra, se adorar a Deus e fizer o bem, será amado por Deus e se salvará.

Depois na Surata 3 está dito que os maometanos se condenam se deixarem a sua lei.

Na Surata 20 se diz que nenhum deles obriga à fé,.,

Mas na Surata 9 se diz que os infiéis devem ser mortos.

Na Surata 2 se afirma que qualquer um pode salvar-se na sua religião, seja judeu, cristão ou sabaita:

“62.Os fiéis, os judeus, os cristãos, e os sabeus, enfim todos os que crêem em Deus, no Dia do Juízo Final, e praticam o bem, receberão a sua recompensa do seu Senhor e não serão presas do temor, nem se atribuirão”.

E depois na Surata 3 diz o contrário: “178.Que os incrédulos não pensem que os toleramos, para o seu bem; ao contrário, toleramo-los para que suas faltas sejam aumentadas. Eles terão um castigo afrontoso”.

Os muçulmanos confessam essas contradições, mas dizem que é o próprio Deus que mudou de ideia.

7. Os muçulmanos dizem ademais que, após a morte, no túmulo de duas pessoas, Moncker e Hakir, deverão ser ponderadas as obras de cada um em dois pratos de balança, que igualam a superfície do céu e da terra.

Eles também dizem que há a ponte Sorat, a partir da qual os pecadores cairão no inferno, onde os infiéis ficarão para sempre.

Mas aqueles que acreditam em um Deus, ficarão por algum tempo, não mais de mil anos, e em seguida irão para a casa da paz; mas antes de entrar nessa casa beberão água da piscina de Maomé, porque os maometanos raspam a cabeça e deixam ali uma mecha de cabelo, esperando que Maomé poderá salvá-los assim do inferno.

Eles esperam que pelo menos no dia do juízo Maomé vai salvar todos os seus seguidores com sua oração.

O paraíso que o Corão promete é um paraíso do qual se envergonhariam até mesmo os animais: é um paraíso onde não há outros prazeres que os sensuais.

Ele diz que existem dois jardins ornados com árvores, fontes e maçãs e mulheres, e que cada um terá no céu tantas mulheres quanto tiver tido nesta terra, e que as outras serão concubinas.

Eis como ele escreve na Surata 86 e 88: Ubi dulcissimas Aquas, pomaque multimoda, fructus varios et decentissimas mulieres, omneque bonum in aeternum possidebunt. Surata 78: “31.Por outra, os tementes obterão a recompensa, 32.Jardins e videiras, 33.E donzelas, da mesma idade, por companheiras, 34.E taças transbordantes”.

O maometano Avicena, envergonhando-se de tal promessa para a vida eterna, diz que Maomé tinha falado isso alegoricamente; mas o Corão em nenhum lugar admite essa explicação sonhada por Avicena.

Também quanto aos preceitos naturais, o Corão ensina principalmente a lei da natureza, mas não desculpa aqueles que o ofendem por causa do temor.

Admite (como já mencionado) ter muitas mulheres, até quatro, desde que possa manter a paz com todas, do contrário ordena que se tome pelo menos uma, e permite o repúdio duas vezes.

Também proíbe discutir sobre o Corão e a escritura sagrada; e na Surata 22 e 29 afirma tratar-se de preceito divino. Além disso, tal preceito foi dado com muita astúcia por esse impostor, uma vez que toda a força de sua lei está na ignorância.

Existem também outras leis positivas de purificação, orações e esmolas: além do jejum no mês do Surata e a peregrinação a Meca.

Um bom autor narra que Maomé colocava grãos dentro de sua orelha, e então uma pomba que havia sido habituada vinha bicá-los, a fim de fazer crer aos outros que ele por tal meio era inspirado por Deus sobre as coisas que ensinava.

E em confirmação disso, dois maronitas próximos de Bayle disseram que na Meca havia algumas pombas, que são respeitadas pelos turcos como sagradas, acreditando estes que elas descendem daquela que falava a Maomé.

8. Portanto, não pode ser verdadeira a religião dos gentios, nem a dos judeus, nem a dos maometanos, pois a cristã é a única verdadeira.

Mas porque na religião cristã existem várias igrejas que discordam da Igreja Católica Romana, vejamos por fim qual entre todas é a Igreja verdadeira e, em consequência, a verdadeira religião.


(Autor: Santo Afonso Maria de Ligório, “Non può esser vera la religione maometana”, Ed. Amicizie Cristiane, ISBN-978-88-89757-52-9, Pag. 48, apud Islam e Maometto).




São Francisco Xavier:
peste grosseira e escravizadora que vive na ignorância de seus dogmas


São Francisco Xavier, igreja do Gesù, Roma
São Francisco Xavier, igreja do Gesù, Roma







Excerto de carta de São Francisco Xavier SJ, aos padres e irmãos da Companhia de Jesus em Roma.

 Ela foi escrita em Amboine (também Amboina ou Ambon), nas Ilhas Molucas, no dia 10 de maio de 1576.

A Carta é a nº 58 do epistolário do apóstolo da Índia, Japão e China.

As Ilhas Molucas hoje fazem parte da Indonésia.



9. Sobre as Molucas, é um arquipélago considerável, quer dizer, um país constituído por um número infinito de pequenas ilhas; mas não é certo que elas não se liguem ao continene por algum lado.

Todas essas ilhas são muito povoadas. Seria fácil reuni-las sob o império da Cruz, se houvesse misionários e se nossa Sociedade pudesse instalar uma casa.

É por isso que eu consagraria todos meus esforços para obter uma fundação nesta extremidade do mundo; eu vejo desde já a perspectiva da expansão de suas conquistas.

10. Em Amboine, de onde vos escrevo, os pagãos são bem mais numerosos que os maometanos e têm horror deles, porque os obrigam a usar o turbante, ou os reduzem à escravidão.

Pois a maioria dos idólatras sente um horror igual pelo nome de Maomé e da escravidão; e se tivessem missionários, eles entrariam sem esforço no rebanho de Jesus Cristo, cuja doutrina lhes causa infinitamente menos repugnância que a do pretenso profeta. . .

Relicário com um dos braços de São Francisco Xavier, igreja do Gesù, Roma
Relicário com um dos braços de São Francisco Xavier,
igreja do Gesù, Roma.
Há setenta anos que essa peste maometana veio infeccionar esta ilha; antes, todo o país era pagão. É de Meca, cidade da Arábia onde se conserva a execrável carcaça de Maomé, que saíram esses cádis ou sacerdotes muçulmanos, que vieram aportar nestas regiões sua infame doutrina e perverter a multidão.

Esses sarracenos, conquistadores sobre as ruínas da idolatria, são grosseiros, vivem numa ignorância completa dos dogmas do islamismo, do qual só fazem uma profissão exterior; é com base na própria ignorância deles que eu deposito minhas esperanças de atraí-los ao rebanho da Igreja.

11. Das demais coisas, eu vos daria maiores detalhes, para que, participando de minha preocupação, vós concebais, do mesmo modo que eu, toda a tristeza que dá a um cristão a perda diária de tantas almas.

Ah! que aqueles que aspiram a vir em nosso socorro não hesitem e não duvidem, ainda que não sejam profundamente versados nas belas letras e nas belas artes!

Eles saberão que já estão suficientemente penetrados delas vindo aqui pela causa de Jesus Cristo, pois só terão que tratar com homens pouco instruídos, para os quais é inútil fazer uma demonstração de ciência e espírito.

Se cada ano este país visse chegar somente doze homens, o islamismo seria destruído dos pés à cabeça, e a Cruz reinaria nestas regiões; crimes abomináveis dos quais a ignorância é a única causa não sujariam mais esta nação; não se veria mais entre os habitantes desta ilha crueldades, barbáries, perfídias de arrepiar. (…)

(Apud “Cartas de S. Francisco Xavier, Apóstolo das Índias e do Japão, traduzidas da edição latina de Bolonha de 1795” par A.M.F***, Editor T. I, Paris-Lyon, 1828, Carta LVIII, p. 234 e ss.)




São João Damasceno, Doutor da Igreja:
Maomé, falso profeta, excogitou nova heresia eriçada de coisas ridículas


“Até o momento, a superstição dos ismaelitas, arautos do Anticristo, continua a enganar os povos.

“São descendentes de Ismael, filho de Abraão e de Agar; os ismaelitas são também chamados comumente de agarianos.

“Eram idólatras, adoravam a estrela Lúcifer e Vênus, que chamavam, Chabar ou grande, até o tempo de Heráclio.

“Então levantou-se entre eles um falso profeta, chamado Maomé, que havendo encontrado os livros dos Antigo e Novo Testamentos, e tido contato com um monge ariano, formulou uma heresia nova.

“Conseguido o favor de seu povo por uma aparência de piedade, difundiu o rumor que os escritos lhe vinham do céu.

“Escreveu um livro eriçado de coisas ridículas, onde expõe a sua religião.

“Estabelece um Deus do universo, que não foi engendrado, nem engendrou nada.

“Diz que Cristo é o Verbo de Deus e seu Espírito, mas criado e servidor que nasceu sem cooperação humana, de Maria, irmã de Moisés e de Aarão, por operação do Verbo de Deus, que nela entrou; que os judeus, havendo querido, por um crime detestável, pregá-lo numa cruz, apoderaram-se dele, mas não crucificaram senão sua sombra: de sorte que Jesus Cristo não sofreu nem a cruz nem a morte, tendo Deus, a quem era todo querido, arrebatado o Verbo aos céus”.


(Fonte: “Fount of Knowledge, part two entitled Heresies in Epitome: How They Began and Whence They Drew Their Origin”, The Fathers of the Church, vol. 37 (Washington, DC: Catholic University of America Press, 1958), pp. 153-160).



São Francisco de Assis:
é de acordo com a Justiça combater os muçulmanos


São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.  Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.
São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.
Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.

Diálogo entre São Francisco de Assis e o Sultão al-Malik al-Kamil
em 1219, perto de Damieta, Egito.

“O sultão lhe apresentou outra questão:

− “Vosso Senhor ensina no Evangelho que vós não deveis retribuir mal com mal, e não deveis recusar o manto que quem vos quer tirar a túnica, etc. Então, vós, cristãos não deveríeis invadir as nossas terras, etc.”.

“Respondeu o bem-aventurado Francisco:

− “Me parece que vós não tendes lido todo o Evangelho. Em outra parte, de fato, está dito: Se teu olho te escandaliza, arranca-o e joga-o longe de ti (Mt. 5,25).

“Com isto quis nos ensinar que também no caso de um homem que fosse nosso amigo ou parente, que nos amássemos como a pupila do olho, nós devemos estar dispostos a separa-lo, e afastá-lo de nós, até arrancá-lo de nós, se tenta nos afastar da fé e do amor de nosso Deus.

“Exatamente por isto o cristãos agem de acordo com a Justiça quando invadem vossas terras e vos combatem, porque vós blasfemais contra o Nome de Cristo e vos empenhais em afastar de Sua religião todos os homens que podeis.

“Se, pelo contrário, vós quiserdes conhecer, confessar e adorar o Criador e Redentor do mundo eles vos amariam como a si próprios”.

“Todos os presentes ficaram tomados de admiração pela resposta dele”. 

(Fonte: “Fonti Francescane”, Seção terceira – Outros testemunhos franciscanos, número 2691).
The Fathers of the Church, vol. 37 (Washington, DC: Catholic University of America Press, 1958), pp. 153-160).


Santa Teresinha do Menino Jesus:
“Com que alegria teria partido para combater os hereges nas Cruzadas”


As Cruzadas foram empreendimentos históricos. Porém, elas nasceram de um ideal que transcende o tempo. Esse ideal palpita ainda hoje nas almas de inúmeros católicos, em pleno III Milênio.

Esse ideal ardeu intensamente na alma dos santos, embora se fale pouco disso. Eis um dos tantos exemplos: Santa Teresinha do Menino Jesus.

Santa Teresinha do Menino Jesus, que desejava passar o Céu fazendo o bem na Terra, não tinha uma alma débil, desprovida de personalidade e força de caráter, que fugia do sofrimento e da luta.

Se assim o fosse, não teria sido elevada às honras dos altares, nem teria sido apresentada ao mundo católico como "uma nova Joana d'Arc" pelo Papa Pio XI (a 18 de maio de 1925).

É muito oportuno e mesmo necessário, pois, considerarmos este aspecto de sua alma, frequentemente esquecido ou falseado em imagens e santinhos, onde ela aparece com a fisionomia impregnada por um adocicamento sentimental e romântico, totalmente inexistente em sua forte e marcante personalidade.

Vejamos algumas de suas afirmações que refletem o espírito de cruzado que animava a Santa da chuva de rosas:

“Na minha infância sonhei lutar nos campos de batalha.

“Quando comecei a aprender a História da França, o relato dos feitos de Joana d'Arc me encantava; sentia em meu coração o desejo e a coragem de imitá-los” (1).

“Adormeci por alguns instantes -- contava ela à Madre Inês -- durante a oração. Sonhei que faltavam soldados para uma guerra contra os prussianos. Vós dissestes: É preciso mandar a Irmã Teresa do Menino Jesus. Respondi que estava de acordo, mas que preferia ir para uma guerra santa. Afinal, parti assim mesmo.

“Oh! não, eu não temeria ir à guerra. Com que alegria, por exemplo, no tempo das cruzadas, teria partido para combater os hereges. Sim! Eu não temeria levar um tiro, não temeria o fogo!” (2)

“Lançando-me na arena
Não temerei ferro nem fôgo ....
Sorrindo enfrento a metralha ....
Cantando morrerei, no campo de batalha
As armas à mão
", bradava ela (3).

“Quando penso que morro numa cama! Como desejaria morrer numa arena!” (4)

A santidade! É preciso conquistá-la à ponta da espada. .... É preciso combater!” (5)



____________________
Notas:
1) Lettres de Sainte Thérèse de l'Enfant-Jésus, Carta ao Abbé Bellière, Office Central de Lisieux, 1948.
2) Carnet Jaune, 4.8.6 -- in Derniers entretiens, Éditions du Centenaire, Desclée de Brouwer-Éditions du Cerf, Paris, 1971.
3) Mes Armes -- Poésies, Édition du Centénaire, Cerf-Desclée de Brouwer, Paris, 1992 (Carnet jaune, Mère Agnès de Jésus, 4 de agosto).
4) Summarium [do Processo de Beatificação e Canonização], depoimento de Celina, 2753.
5) Correspondance Générale, Éditions du Cerf-Desclée de Brouwer, Paris, 1972, t. I (1877-1890), Carta (­­nº 89) a Celina, de 26 de abril de 1889. E Lettres de Sainte Thérèse de l'Enfant Jésus, Carta a Leônia, de 20 de maio de 1894.










Abismais incompatibilidades entre Maomé e Jesus




Profecia alguma prevê a vinda de Maomé.
Numerosas, precisas e antigas profecias foram confirmadas com o nascimento de Jesus.
A concepção de Maomé foi humana e natural.
Jesus foi concebido de modo sobrenatural, e nasceu de uma virgem.
Numerosas revelações de Maomé serviram para satisfazer seus interesses pessoais, tais como a legalização do casamento com sua nora.
As revelações e a vida de Jesus foram “sacrifícais”, como sua crucificação pelos pecados do mundo.
Maomé não fez milagre algum.
Jesus curou leprosos, deu vista aos cegos, andou sobre as águas, ressuscitou os mortos.
Maomé estabeleceu um reino terreno.
Jesus disse: “Meu reino não é deste mundo”.
Maomé admitiu que suas maiores paixões eram as mulheres, os perfumes e os alimentos.
A principal paixão de Jesus foi glorificar o nome de seu Pai celestial.
Maomé foi um rei terreno que acumulou riqueza, tornando-se o proprietário mais rico da Arábia.
Jesus não tinha onde reclinar a cabeça.
A vida de Maomé foi marcada pela espada.
A vida de Jesus foi marcada pela misericórdia e pelo amor.
Maomé incitou a jihad, ou guerra santa.
Jesus disse que “aqueles que ferirem pela espada, pela espada perecerão”. Um de seus títulos é “Príncipe da Paz”.
Se uma caravana era fraca, Maomé atacava-a, saqueava-a e massacrava-a; se ela era forte, ele fugia.
Jesus disse: “Resplendeça vossa luz diante dos homens, para que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. “Amai os vossos inimigos e abençoai os que vos odeiam”.
Maomé fez apedrejar a adúltera.
Jesus perdoou à adúltera.
Maomé casou com catorze mulheres, incluindo uma menina de sete anos.
Jesus não teve relações carnais.
Maomé admitiu que era um pecador.
Jesus foi livre de todo pecado, mesmo de acordo com o Alcorão.
Maomé não previu sua morte.
Jesus predisse com exatidão a sua crucificação, morte e ressurreição.
Maomé não formou nem nomeou um sucessor.
Jesus designou, instruiu e preparou seus sucessores.
Maomé estava tão incerto sobre a sua salvação que orou setenta vezes por dia, a fim de receber o perdão.
Jesus era a essência da salvação, e disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida! Ninguém vai ao Pai senão por mim”.
Maomé massacrou seus inimigos.
Jesus perdoou os seus inimigos.
Maomé morreu e seus restos mortais estão enterrados na terra.
Jesus ressuscitou dos mortos e ascendeu ao Céu!




Outras diferenças entre Jesus e Maomé


Maomé foi um líder religioso e militar
Jesus foi um líder religioso
Estima-se que Maomé matou 3 mil pessoas, incluindo 700 judeus em Medina em 627.
Jesus nunca matou ninguém
Maomé recebeu um quinto dos prisioneiros capturados em combate, incluindo mulheres (Sura 08:41).
Jesus nunca possuiu escravos
Maomé forçou seus discípulos sob pena de morte a continuarem acreditando nele.
Jesus nunca forçou os discípulos a continuar a crer nEle.
Maomé ensinou vingar os crimes contra a honra, a família ou a religião.
Jesus ensinou a perdoar as ofensas recebidas.
Maomé torturou o chefe de uma tribo judaica.
Jesus nunca torturou ninguém.
Maomé vingou a violência contra ele, ordenando a morte de seus inimigos.
Jesus não vingou a violência praticada contra Ele, mesmo dizendo “Pai, perdoa-lhes” (Lc 23,24).
Para o Islam mártir é quem morre por sua fé enquanto luta e mata os infiéis.
Para os cristãos o mártir é aquele que morre por sua fé.
Todos os califas discípulos de Maomé também foram generais de guerra.
Nenhum dos discípulos de Jesus formou exércitos.
Nos primeiros 300 anos do Islã, os exércitos islâmicos invadiram a Arábia, a Pérsia, a Terra Santa, a África do Norte, a África Central, a Espanha, o sul da França e amplas áreas da Ásia Menor e na Ásia Central.
Nos primeiros 300 anos do cristianismo, houve 10 grandes perseguições contra os cristãos e não houve resistência armada.


(Fonte: La differenza tra Gesù e Maometto, Dietro le Quinte, 25/08/2012. BastaBugie nº.437, 20 janeiro 2016.




Papa São Gregório VII:
alma inspiradora das Cruzadas


São Gregório VII
São Gregório VII
Coube ao Papa São Gregório VII (1020-1085) a honra de inspirar o movimento das cruzadas. Seu plano resulta claro na carta de 1074 reproduzida embaixo, mas que no seu tempo não chegou a ser enviada.

Aconteceu que São Gregório VII teve que enfrentar a revolta do imperador Henrique IV e não pôde completar seu determinado projeto.

Entre seus assessores mais próximos estava o futuro Urbano II. São Gregório VII externou o desejo que ele fosse eleito para sucedê-lo.

Por sua vez, Urbano deixou bem claro aos Cardeais que de ser eleito continuaria a pastoral intransigente de São Gregório VII face à baixa moralidade de certo clero mundanizado, a simonia, a nomeação de bispos pelo poder temporal e a luta contra os inimigos da Cristandade sobre tudo o Islã.

Os Cardeais, entretanto, temeram continuar na linha do Santo Gregório VII e escolheram um pontífice conciliante.

Após poucos anos de pontificado, os purpurados bem perceberam a insuficiência da escolha.

Beato Urbano II
Beato Urbano II
À morte de Vitor III (1027-1087), Urbano voltou a sublinhar que ele retomaria a intransigência de São Gregório VII. E os cardeais o elegeram por unanimidade em 12 de março de 1088.

Quando o Bem-aventurado Papa Urbano II (1042-1099) convocou a I Cruzada em 1095 a situação não era materialmente diferente de 1074.

O Beato Papa convocou o concílio de Clermont-Ferrand e fez o inspirado e épico sermão que atraiu a graça das Cruzadas.

Nesse sermão, ele retomou o essencial das idéias de São Gregório VII contidas na carta de 1074.

Por isso, pode se disser com certeza que o Beato Urbano II convocando a Cruzada, não fez outra coisa senão realizar o que estava na mente de São Gregório VII.

Eis a carta do santo Papa:

Gregório, bispo, servidor dos servidores de Deus, a todos os que anseiam defender a Fé cristã, saudações e bênção apostólica.

Nós vos informamos que o portador desta carta, no seu recente retorno através do mar desde a Palestina veio nos visitar na cidade de Roma.

Ele repetiu para nós o que já tínhamos ouvido de muitos outros, a saber, que uma raça pagã tem subjugado os cristãos e com horrível crueldade devastou praticamente tudo até as muralhas de Constantinopla.

Eles estão agora governando as terras conquistadas com tirânica violência e têm escravizado muitos milhares de cristãos como se fossem gado.

Se nós amamos a Deus e desejamos sermos reconhecidos como cristãos, nós deveríamos nos encher de dor diante do infortúnio deste grande império (o grego) e pelo assassinato de tantos cristãos.

Mas só a dor não satisfaz todo o nosso dever. O exemplo do Redentor e o dever do amor fraterno exigem que engajemos nossas vidas para liberá-los.

Porque Ele deu sua vida por nós, nos ficamos obrigados a dá-la pelo nosso irmão? (1 Jn 3:16).

Sabei, portanto, que nós confiamos na graça de Deus e no força de seu poder e que estamos trabalhando por todas as formas possíveis e fazendo preparativos para levar auxílio ao império Cristão (grego) tão prestes quanto possível.

Em conseqüência vos exortamos pela Fé que nos une em Cristo para fazer vossos os sofrimentos dos filhos de Deus, e pela autoridade de São Pedro, príncipe dos apóstolos, vos conjuramos para que, tocado de justa compaixão pelas feridas e o sangue de vossos irmãos e pelo perigo em que se encontra dito império, pela glória de Cristo, vós assumais a difícil tarefa de dar auxílio a vossos irmãos gregos.

Enviai-nos mensageiros para nos informar do que Deus tenha vos inspirado nesta matéria.

(Fonte: Migne, Patrologia Latina, 148:329 [tradução para o inglês de Oliver J. Thatcher, and Edgar Holmes McNeal, eds., A Source Book for Medieval History, New York, Scribners, 1905, 512-13].



Bem-aventurado Papa Urbano II:
Sermão da Cruzada, Clermont-Ferrand, 27.11.1095 (versão mais completa)


Virgem das Cruzadas, Thuret(Puy-de-Dome)
Nossa Senhora das Cruzadas
Do famoso sermão do Bem-aventurado Papa Urbano II convocando à I Cruzada em Clermont-Ferrand (França, 27 de novembro de 1095) existem diversos registros feitos por diversas testemunhas. Já tivemos ocasião de postar um desses registros.

Eis um outro, o mais completo, traduzido do italiano e disponível no site Documenta Catholica:

Povo dos Francos, povo de além Alpes, povo – como reluz em muitas de vossas ações ‒ eleito e amado por Deus, distinguido entre todas as nações pela posição de vosso país, pela observância da fé católica e pela honra que presta à Santa Igreja, a vós se dirige nosso discurso e nossa exortação.

Queremos que vós saibais do lúgubre motivo que nos conduziu até vossas terras; da necessidade ‒ para vós e para todos os fiéis ‒ de conhecerem o motivo que nos impeliu até aqui.

Desde Jerusalém e desde Constantinopla chegou até nós, mais de uma vez, uma dolorosa notícia: os turcos, povo muito diverso do nosso, povo de fato afastado de Deus, estirpe de coração inconstante e cujo espírito não foi fiel ao Senhor, invadiu as terras daqueles cristãos, as devastou com o ferro, a rapina e o fogo.

Levou parte dos habitantes como prisioneiros até seu país, outra parte matou com infames estragos, e as igrejas de Deus ou as destruiu até os fundamentos ou as entregou ao culto da religião deles.

Estátua de Urbano II, Châtillon sur Marne
Beato Urbano II
Derrubam os altares após profaná-los imundamente, circuncidam os cristãos e espalham o sangue da circuncisão sobre os altares ou jogam-no nas pias batismais; e àqueles que querem condenar a uma morte vergonhosa perfuram o umbigo, arrancam os genitais, os amarram a um pau e, chicoteando-os, levam-nos pelas ruas, para que com as vísceras de fora, acabem caindo mortos prostrados por terra.

Outros se servem deles como alvo de flechas após amarrá-los a um pelourinho; a outros, após obrigá-los a dobrar a cabeça, os atacam com espadas e tentam decapitá-los de um só golpe.

O que dizer da violência nefanda praticada com as mulheres, sobre a qual é pior falar do que calar?

O reino dos gregos já foi atingido tão gravemente por eles e tão perturbado na sua vida diária que não pode ser atravessado sequer numa viagem de dois meses.

A quem, pois, cabe o ônus de vingá-lo e de reconquistá-lo se não a vós a quem Deus, mais de que aos outros povos, concedeu a insigne glória das armas, grandeza de alma, agilidade de corpo, força para humilhar a fundo aqueles que a vós resistem?

Que a gesta de vossos antepassados vos mova, que excite vossas almas a atos dignos dela, a probidade e a grandeza de vosso rei Carlos Magno e de Luis seu filho e de outros soberanos vossos que destruíram o reino dos pagãos e até eles estenderam os confines da Igreja.

Sobretudo que vos incite o Santo Sepulcro do Senhor, nosso Salvador, que está nas mãos de gentes imundas, e os lugares santos, que agora estão por eles vergonhosamente possuídos e irreverentemente profanados com sua imundícia.

Clermont-Ferrand, catedral, pórtico norte
Catedral de Clermont-Ferrand
Ó soldados fortíssimos, filhos de pais invictos, não vos mostreis decadentes, mas lembrai-vos da coragem de vossos predecessores; e se vos segura o doce afeto dos filhos, dos pais e das consortes, atentai para o que diz o Senhor no Evangelho:

“quem ama o pai ou a mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Todo aquele que deixar seu pai ou sua mãe, ou a mulher ou os filhos ou as terras por amor de meu nome receberá o cêntuplo nesta terra e terá a vida eterna”.

Não vos detenha o pensamento de alguma propriedade, nenhuma preocupação pelas coisas domésticas, pois esta terra que vós habitais, circundada por todo lado pelo mar ou pelas montanhas, ficou estreita para vossa multidão, não é exuberante de riqueza e apenas fornece do que viver a quem a cultiva.

Por isso vós vos ofendeis e vos hostilizais reciprocamente, vós vos fazeis guerra e com freqüência vos matais entre vós mesmos.

Cessem, pois os ódios intestinos, apaguem-se os contenciosos, aplaquem-se as guerras e sossegue toda discórdia e inimizade.

Empreendei o caminho do Santo Sepulcro, arrancai aquela terra àquele povo celerado e submetei-la a vós: ela foi dada por Deus em propriedade aos filhos de Israel; como diz a Escritura, nela correm rios de leite e mel.

Jerusalém é o centro do mundo, terra feraz por cima de qualquer outra quase como um paraíso de delícias; o Redentor do gênero humano a tornou ilustre com sua vinda, a honrou com sua passagem, a consagrou com sua Paixão, a redimiu com sua morte, e a tornou insigne com sua sepultura.

Exatamente esta cidade real posta no centro do mundo agora é tida em sujeição pelos próprios inimigos e pelos infiéis, feita serva do rito pagão. Ela eleva sua lamentação e anela ser liberada e não cessa de implorar que vós andeis no seu socorro.

De vós mais do que qualquer outro povo ela exige ajuda, pois vos tem sido concedida por Deus, por sobre todas as estirpes, a glória das armas.

Empreendei, pois este caminho em remissão de vossos pecados, certos da imarcescível glória do reino dos Céus.

Ó irmãos amadíssimos, hoje em nós manifestou-se o que o Senhor diz no Evangelho: “Onde dois ou três estarão reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles”.

Se o Senhor Deus não tivesse inspirado vossos pensamentos, vossa voz não teria sido unânime; e ainda que tenha ressoado com timbres diversos, foi única, entretanto a sua origem: foi Deus que a suscitou, foi Deus que a inspirou em vossos corações.

Seja, pois, esta vossa voz, o vosso grito de guerra, posto que ele vem de Deus. Quando fores ao ataque dos belicosos inimigos, seja este o grito unânime de todos os soldados de Deus: “Deus o quer! Deus o quer!”

Nós não convidamos a empreender este caminho aos velhos ou àqueles que não são aptos para portar armas, nem as mulheres; que as mulheres não partam sem seus maridos ou sem irmãos ou sem representantes legítimos: todos estes são mais um impedimento do que uma ajuda, mais um peso do que uma vantagem.

Que os ricos sustentem os pobres e levem a seu custo homens prestes para combater.

Aos sacerdotes e clérigos de qualquer ordem não seja lícito partir sem licença de seu bispo, porque esta viagem lhes seria inútil sem esse assentimento; e nem sequer aos leigos seja permitido partir sem a bênção de seu sacerdote.

Todo aquele que queira cumprir esta santa peregrinação e que faça promessa a Deus e a Ele se tenha consagrado como vítima viva, santa e aceitável, leve sobre seu peito o sinal da Cruz do Senhor. Aquele que, após ter cumprido seu voto queira retornar, dê meia-volta.

Cumprirão assim o preceito que o Senhor dá no Evangelho: “Quem não carrega sua cruz e não vem detrás de Mim não é digno de Mim”.

Clermont, 27 de novembro de 1095.





Papa Pascoal II:
comemora a conquista de Jerusalém e exorta a reforçar a Cruzada


O Papa Pascoal II com o rei da Franca Felipe I, em 1107.
O Papa Pascoal II com o rei da Franca Felipe I, em 1107.
Pascoal bispo, servidor dos servidores de Deus, a todos os arcebispos, bispos e abades da Gália, saudações e bênção apostólica.

Nós estamos obrigados por uma gratidão sem limites à compaixão de Deus Onipotente, porque no nosso tempo Ele determinou liberar a Igreja da Ásia dos bandos turcos e abrir aos soldados cristãos a própria cidade onde o Senhor padeceu e foi enterrado.

Entretanto, nós devemos receber a graça divina com todas as conseqüências que isso implica.

Ele deu-nos aquelas terras que outrora foram do povo da Palestina ou Canaã, e ajuda efetivamente nossos irmãos que ali ficaram.

Urgi, por isso mesmo, a todos os soldados de vossa região, para remissão e perdão de seus pecados, a partirem com presteza a sustentar nossa Mãe a Igreja de Oriente.

Compeli especialmente aqueles que endossaram o sinal da Cruz em sinal desta promessa a apressarem sua partida, a menos que a pobreza os impeça.

Além do mais, nós decretamos que permaneçam excomungados aqueles que incorreram na desgraça de abandonar o cerco de Antioquia por falta de fé ou questionáveis argumentos, a menos que patenteiem com sólidas promessas que pretendem voltar.

Nós ordenamos especialmente que sejam devolvidas todas as poses a nossos irmãos que estão voltando depois da vitória do Senhor, de acordo com o que, vós lembrais, foi ordenado em decreto sinodal por Urbano, nosso predecessor de feliz memória.

Agindo assim em todos os assuntos, cumprindo zelosamente vosso dever, podeis ter certeza que por nosso zelo conjunto nossa Mãe a Igreja de Oriente será reconduzida a seu devido estado, pela misericórdia do Senhor.

(Fonte: August. C. Krey, The First Crusade: The Accounts of Eyewitnesses and Participants, (Princeton: 1921), 279, Internet Medieval Source Book)











Beato Eugênio III Papa:
Convocação da II Cruzada - Bula “Quantum predecessores”


Beato Eugênio III Papa, convocou a II Cruzada
Em 1146, o principado de Edessa, dominado pelos cruzados, caiu em mãos dos muçulmanos ressurgentes. Assim, o Bem-Aventurado Papa Eugênio III apelou a uma nova cruzada - a segunda. Foi entusiasticamente apoiado nesta convocação por seu mentor, São Bernardo de Claraval.
O Bem-aventurado Pontífice redigiu para esse efeito a Bula “Quantum predecessores”, de 1º de dezembro de 1154, que diz:
O Bispo Eugênio, servo dos servos de Deus, a Luis, seu filho mais amado em Cristo, ilustre rei dos franceses; aos príncipes, seus filhos bem amados, e a todos os fiéis de Deus estabelecidos por toda a Gália, saudação e bênção apostólica.

Sabemos pelas narrações dos antigos e por seus escritos quanto os romanos pontífices, Nossos antecessores, fizeram pela libertação da Igreja no Oriente. Nosso predecessor de venerada memória, o Papa Urbano, soou como que uma trombeta celeste a fim de levantar, para a sua libertação, os filhos da Santa Igreja Romana em todos os cantos da terra.

É verdade que à sua voz os ultramontanos, e especialmente os mais bravos e fortes guerreiros do reino francês, bem como os da Itália, inflamados com ardente amor, uniram-se num mui grande exército e, não sem grande derramamento do seu próprio sangue, com divino auxílio libertaram da sujeira dos pagãos a cidade em que nosso Salvador quis sofrer por nós e onde nos deixou seu glorioso sepulcro como memorial de sua Paixão, além de muitos outros que, por amor à brevidade, abstemo-nos de mencionar.

Essas cidades, pela graça de Deus, e do zelo de vossos pais, que de tempos em tempos têm se esforçado na medida do possível para defendê-las e divulgar o nome de Cristo naquelas partes, foram mantidas pelos cristãos até hoje; e eles tem corajosamente invadido outras cidades dos infiéis. Agora, porém, por causa de nossos pecados e os do povo ‒ coisa que não podemos anunciar sem grande dor e pranto ‒ a cidade de Edessa, em nossa língua chamada Rohais foi tomada e muitos de seus castelos ocupados pelos pagãos.

Cristo gladífero à testa dos cruzados
Logo Edessa, que no tempo em que todo o Oriente era dominado por pagãos, servia sozinha a Deus sob o poder dos cristãos. Por outro lado, o arcebispo dessa cidade, juntamente com seu clero e muitos outros cristãos foram mortos e as relíquias dos santos entregues ao pisoteio dos infiéis e dispersas.

Cientes estamos todos de quão grande é o perigo que ora ameaça a Igreja de Deus e toda a Cristandade. Pois é sabido que a maior prova de nobreza e probidade é que as coisas adquiridas pela bravura dos pais sejam corajosamente defendidas pelos filhos – os senhores. Mas, que Deus nos livre, se tal não ocorrer, a valentia dos pais terá diminuído em seus filhos.

Exortamos-vos a todos em Deus, portanto, e vos pedimos e comandamos, e para a remissão dos pecados recomendamos, que os que são de Deus, e, sobretudo os mais nobres cinjam-se de coragem e se esforcem de modo a opor-se à multidão dos infiéis que ora se alegra com a vitória sobre nós obtida.

E que, assim fazendo, defendam a Igreja oriental, liberta de sua tirania por tão grande derramamento do sangue de seus antepassados, como já dissemos, a fim de arrebatar milhares de vossos irmãos cativos de suas mãos e promover a dignidade do nome cristão e fazer vossa valentia elogiada por todo o mundo, permanecendo intacta e inabalável.

Sirva o bom Matias de exemplo para vós, ele que, para preservar as leis de seus pais, sem a menor hesitação expôs-se à morte com seus filhos e parentes, deixando tudo que no mundo possuía.

E que, com a ajuda divina, depois de muitos trabalhos e de longo tempo, corajosamente obteve, bem como os seus descendentes, um varonil triunfo sobre seus inimigos.

Mais ainda, com paternal solicitude paternal para a tranqüilidade dos combatentes e para o restabelecimento da mesma igreja do Oriente, concedemos e confirmamos pela autoridade a Nós por Deus concedida, aos que instados pela graça se decidam a realizar obra tão santa e necessária, a remissão dos pecados conforme instituiu Nosso predecessor, o Papa Urbano.

E decretamos que suas esposas e filhos, bem como suas posses e bens permaneçam sob Nossa proteção e a dos arcebispos, bispos e outros prelados da Igreja de Deus.

São Bernardo foi grande pregador da Cruzada convocada pelo santo Papa
Outrossim, por Nossa autoridade apostólica proibimos que qualquer bem sobre o qual tivessem posse incontroversa ao tomarem a cruz, seja isento de qualquer processo até que se tenha notícias certas sobre seu retorno ou sua morte.

Além disso, tendo em vista que os que guerreiam pelo Senhor não devem de modo algum preparar-se com vestes preciosas nem preocupar-se com sua aparência pessoal, nem com cães e falcões, ou outras coisas que possam pressagiar licenciosidade, exortamos vossa prudência no Senhor para que os que decidirem realizar tão santa obra não busquem as coisas acima mas mostrem todo zelo e diligência com suas armas, cavalos e outras coisas com as quais possam combater os infiéis.

Os que, oprimidos por dívidas, de coração puro se lancem nessa santa jornada não devem pagar juros pelo tempo nela decorrido; e se eles ou outros em seu lugar forem obrigados por juramento ou promessa a pagar juros, de tal obrigação os absolvemos por Nossa autoridade apostólica.

É-lhes também permitido, quando as pessoas de suas relações, conhecendo sua situação, ou seus senhores, a quem são tributários, não lhes queiram avançar o dinheiro necessário, penhorar livremente, sem qualquer promessa de recuperação, suas terras ou outros bens a igrejas, pessoas eclesiásticas ou a qualquer dos fiéis.

Segundo instituiu Nosso citado predecessor, pela autoridade do Deus Todo-Poderoso e pela de São Pedro, chefe dos apóstolos, a nós por Deus outorgada, concedemos a remissão e o perdão dos pecados àquele que devotamente encete tão sagrada missão e a cumpra, ou morra durante a mesma.

Concedemos-lhe a absolvição de todos os pecados que confesse com coração humilde e contrito, recebendo assim o eterno prêmio do Remunerador de todos.

Passado em Vetralle, nas calendas de Dezembro.

(Fonte: Doeberl, Monumenta Germania Selecta, Vol 4, p. 40, trans in Ernest F. Henderson, Select Historical Documents of the Middle Ages, (London: George Bell and Sons, 1910), pp. 333-336. Quantum praedecessores).



Papa Gregório VIII:
“A misericórdia celeste pode trocar os dias da vitória muçulmana em dias de humilhação”


Gregório VIII
Gregório VIII
“Nós, principalmente, diz Gregório, que temos que gemer ante as iniquidades, que acenderam a cólera de Deus, nós que tememos que outras desgraças aconteçam na Judéia, no meio das dissensões dos reis e dos príncipes cristãos, entre cidades e aldeias, devemos chorar com o profeta e repetir com ele: A verdade, a ciência de Deus, não estão mais nesta terra; e veio reinar em seu lugar a mentira, o homicídio, o adultério e a sede do sangue.

“Pensai, meus caros irmãos, para que viestes a este mundo e como deveis dele sair, Pensai que passais como passam todas as coisas. Não podeis dizer dos bens de que gozais, do ar mesmo que nos conserva a vida: ‘Isto é meu!’

“Não vos fizestes a vós mesmos e o poder de criar um nada está acima de todos os poderes da terra.

“Daí então todos esses tesouros, que vos podem escapar, esta vida que não é mais que um ponto na duração, para socorrer vossos irmãos, para vos garantirdes a eterna salvação.

“Se os infiéis enfrentaram os perigos da guerra, se eles sacrificaram o descanso e as delícias de seus dias para atacar a herança de Jesus Cristo, hesitareis em fazer os mesmos sacrifícios pela fé cristã?

“A cólera celeste permitiu que os ímpios tivessem um momento de triunfo, mas sua misericórdia pode trocar para eles os dias da vitória em dias de humilhação.

“Entregai-vos pois à misericórdia divina, não temos o direito de pedir contas a Deus de seus juízos, mas não devemos crer que na sua bondade Ele quer nossa salvação e que aquele que se sacrifica por seus irmãos mesmo quando tivesse apenas chegado aos dias da juventude, será tratado como aquele que passou uma vida longa no serviço de Deus?”


(Autor: Joseph-François Michaud, “História das Cruzadas”, vol. II, Editora das Américas, São Paulo, 1956. Tradução brasileira do Pe. Vicente Pedroso)




Papa São Pio V:
cartas incitando os Reis católicos a combater contra os muçulmanos


São Pio V com Maria Auxiliadora na mão

Aos Reis Católicos contra os turcos (8-12-1567):


Eis o que foi bem estabelecido e é bem certo: nosso poderoso inimigo, o Sultão dos Turcos, prepara com os mais minuciosos cuidados uma frota considerável, sem precedente, uma armada e exército importantíssimos.

Ele completa todos os preparativos que se fazem necessários, com o único fim de se precipitar o mais cedo possível contra Malta, para abater a Ordem Militar de São João, por ele particularmente odiada, e submeter essa ilha.

Diz-se que dela deseja se apoderar, não só pelas grandes vantagens que oferece sob o ponto de vista estratégico, mas também, e mais ainda, em razão da humilhação por ele sofrida no sítio precedente.

Como a tais forças a Ordem não pode de forma alguma resistir, nosso caro filho Jean de la Valette, seu Grão-Mestre, é obrigado a implorar o socorro dos príncipes cristãos contra o inimigo comum, o inimigo do Cristianismo.

Não duvidamos que Vossa Majestade e seu povo venham em nosso socorro, tanto mais espontaneamente aliás, pois é de seu maior interesse que uma ilha assim próxima da Sicília e da Itália não caia em mãos inimigas.

* * *

A nosso caríssimo filho em Cristo, Carlos, Rei cristianíssimo da França (12-12-1567):


Jean de la Valette vê-se na obrigação de apelar para todos os príncipes cristãos contra o inimigo comum do Cristianismo.

A defesa da ilha de Malta parece, no momento, ser mais importante para alguns povos do que para outros. Entretanto, trata-se incontestavelmente da salvação de todos os príncipes cristãos e de toda a Cristandade. Não ignoramos, filho cristianíssimo, quais dificuldades deveis enfrentar... .

* * *

Palácio do Grão-Mestre da Ordem de Malta, ilha de Malta

A nosso filho caríssimo, o nobilíssimo Pedro Loredano, Doge de Veneza (19-1-1567):


Os cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém são obrigados a socorrer-se de todos os príncipes cristãos. Eles têm mais coragem que recursos para fazer face a um inimigo assim poderoso e pérfido, para contê-lo e expulsá-lo.

Essa ilha é a cidade da Cristandade inteira. Se (Deus não o permita!) ela vier a cair em poder do inimigo, pela negligência dos príncipes cristãos, não haveria mais tempo para gemer e se arrepender.


(Fonte: Léon Garnier, "Lepanto", p. 41)




Papa Bento XIV:
“muçulmanos, os piores entre os celerados”


S.S. Bento XIV.
Pierre Hubert Subleyras (1699-1749) Palácio de Versailles
Carta do Papa Bento XIV de louvor  à Ordem Militar Hospitalar de São João de Jerusalém, conhecida também como Ordem de Malta, por sua heroica defesa da Cristandade ameaçada pelas forças muçulmanas


“A Ordem Hierosolimitana tem um lugar de escol entre as Ordens militares que, com satisfação Nossa, sustentam a Religião Católica e a defendem corajosamente contra seus inimigos.

Para glória de Cristo, esta Ordem move o mais duro combate contra os muçulmanos, os piores entre os celerados.

Brasão da Ordem de Malta
Com todas as suas forças, ela protege sem descanso as fronteiras da Cristandade contra as incursões deles.

“Para nela ser admitido como soldado, é preciso fazer prova de nobreza; mas também, a fim de poder combater mais facilmente e ser mais livre e mais apto para os trabalhos que se preveem, é necessário renunciar às facilidades da vida doméstica e fazer voto de castidade.

“Eis por que Nós, elevado pela graça de Deus à Sé suprema de São Pedro, desejando dar um testemunho da benevolência pontifícia a esta Ordem ilustre, que tanto mereceu já da Igreja e da Santa Sé, decidimos conceder-lhe importantes privilégios e socorrê-la em suas necessidades atuais”.


(Autor: S.S. Bento XIV (1675 – 1758, Papa desde 17.08.1740), Carta Quoniam Inter de 17 de dezembro de 1743).




São Bernardo de Claraval:
Carta incitando franceses e bávaros a partirem para a II Cruzada

São Bernardo de Claraval, igreja de Zwettl, ©Wolfgang Sauber.
São Bernardo de Claraval, igreja de Zwettl, ©Wolfgang Sauber.
Com sua grande oratória, São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja, um dos maiores doutores do seu tempo, pregou a II Cruzada aos franceses e aos alemães.

Ele expõe o perigo que corre a Terra Santa. Ele começa mostrando a ofensa feita a Deus pelo fato da terra sagrada cair na mão dos adversários da Fé. Depois ele mostra que ali se deu a Encarnação do Verbo, a pregação de Nosso Senhor Jesus Cristo e toda a vida dEle.

E prova que cada um desses dados por si só bastaria para tornar maldito o povo que pretendesse conquistar a Terra Santa.

Depois ele mostra que não só tentam conquistá-la, mas destruí-la, que os maometanos são selvagens e as relíquias do tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo estão ameaçadas de destruição.

O pensamento se estabelece com lógica. São Bernardo, conhecendo a miséria humana, interpela os guerreiros. Que fazeis, bravos soldados, diante disto? Vós não fazeis nada? Vós tendes muitos pecados, é preciso expiá-los e a ocasião é muito boa. Então fazei essa penitência, ide às Cruzadas.

Segunda razão: vós viveis vos matando uns aos outros. Já que vós gostais de combater eu vos apresento um combate justo contra um inimigo que merece ser combatido.

Por todas essas razões ide vós e tomai a Cruz. Esse é o sermão de São Bernardo.


A meus senhores e caríssimos pais os arcebispos e bispos, a todo o clero e fiéis da França oriental e da Baviera, Bernardo, abade de Claraval, que o espírito de força abunde em vós. 
 
Eu Vos escrevo por uma questão que se refere a Jesus Cristo e à vossa salvação. Eis, meus irmãos, um tempo favorável, um tempo de propiciação e de salvação.

O mundo cristão foi atingido pela notícia de que o Deus do céu vai perder sua pátria. Pois é o país onde Ele foi visto, Ele, o Verbo do Pai, instruindo os homens e vivendo entre eles, na sua forma humana, durante mais de trinta anos.

É o país que ele ilustrou com seus milagres, regou com seu sangue, adornou com as primeiras flores da Ressurreição. Hoje nossos pecados o fizeram cair nas mãos de ferozes e sacrílegos inimigos da Cruz cuja espada devoradora semeia por toda a parte a morte sobre a terra das antigas promessas.

Logo, logo, se ninguém se opuser a seu furor eles cairão sobre a própria cidade do Deus vivo, derrubarão os monumentos sagrados de nossa Redenção, macularão os lugares santos que o Sangue do Cordeiro sem mancha outrora regou.

Já no seu ardor sacrílego eles estendem a mão para se apoderar, oh dor, do leito sobre o qual Aquele que nos deu a vida fechou os olhos por nós, nos braços da morte.

Então, generosos guerreiros, servidores da Cruz, abandonareis o Santo dos Santos aos cães e jogareis pérolas tão preciosas aos porcos?

Quantos pecadores penitentes nesses lugares lavaram suas iniquidades com lágrimas e obtiveram o perdão, desde que a espada de vossos pais afastou os pagãos que as desonravam!

O inimigo da salvação percebe-o e se contorce de dor; esse espetáculo é para ele um tormento, ele range os dentes de raiva, mas ao mesmo tempo ele suscita povos que são vasos de iniquidade e se prepara para destruir até os últimos vestígios de tantos santos mistérios.

São Bernardo pregando a II Cruzada em Vezélay 31-03-1146. Emile Signol (1804-1892) , museu do castelo de Versailles.
São Bernardo pregando a II Cruzada em Vezélay 31-03-1146.
Emile Signol (1804-1892) , museu do castelo de Versailles.
Se, que Deus não o permita, ele conseguir se apoderar desses lugares santos entre todos, essa desgraça irreparável permanecerá por todos os séculos vindouros como um fonte de dores incessantes, e para nós, uma causa de vergonha e infâmia.

Seja como for, meus irmãos, haveria de se acreditar que o braço de Deus ficou curto, que sua mão tornou-se impotente para nos salvar, e que Ele tem necessidade do auxílio de miseráveis vermes da terra como somos nós, para restabelecer e proteger sua herança?

Não tem Ele doze legiões de anjos a seu serviço, e não pode Ele com uma só palavra liberar sua pátria?

Ele pode fazê-lo, a coisa é certa, pois para Ele basta desejá-lo. Mas, deixai-me vos dizer que Ele quer vos provar hoje e garantir que entre os filhos dos homens, há alguns ainda que compreendem suas vias, procuram se engajar nelas, e deploram o triste estado em que sua causa caiu.

Pois, na sua misericórdia ele se apraz em oferecer a seu povo o meio de reparar as faltas enormes de que se tornou culpado.

Lançai, oh pecadores, lançai um olhar de admiração sobre os meios de salvação que o Senhor vos oferece, e sondai com confiança os abismos de sua misericórdia.

Tende certeza de que, em lugar de querer vossa morte, ele vos prepara os meios de conversão e salvação, pois seu desejo é de vos salvar e não de vos perder.

Não há senão um só Deus, com efeito, que possa criar semelhante ocasião para a salvação de homicidas e ladrões, de adúlteros e perjuros, enfim de homens maculados por toda espécie de crimes, lhes conferindo o meio de cooperar com seus desígnios todo-poderosos como se fosse um povo inocente e justo.

São Bernardo de Claraval. Vitral do Reno superior, c.1450
São Bernardo de Claraval. Vitral do Reno superior, c.1450
Eu vejo, pois, nesta conduta do Deus das misericórdias um grande sinal de confiança para vós, pecadores. Pois, se Deus quisesse vos castigar, ele recusaria vossos serviços em lugar de reclamá-los.

Mais uma vez, considerai os tesouros de bondade do Altíssimo e refleti sobre seus desígnios cheios de misericórdia.

Ele dispõe assim as coisas que possui: ele finge ter necessidade de vosso auxílio para poder vir em vossa ajuda; ele quer ser vosso devedor a fim de pagar vossos serviços pela remissão de vossos pecados e pelo dom da vida eterna.

Eu não saberia felicitar suficientemente a geração que vê encontra um tempo tão propício para a salvação, e encontra este ano de propiciação fácil e de jubileu. Já uma multidão de cristãos ressente os efeitos e vá em massa a pedir o sinal da salvação.

É a vós agora, povo rico e fecundo em jovens e valorosos guerreiros, a vós de quem o mundo inteiro conhece a glória e celebra a coragem, é a vós que vos cabe vos levantar como um só homem, cingir vossos rins com as armas abençoadas dos cristãos.

Renunciai a esse gênero de milícia, para não dizer de malícia inveterada que grassa entre vós, e que vos arma tão frequentemente e vos precipita uns contra os outros para vos exterminar com vossas próprias mãos.

Com quanto furor e quanta crueldade, oh como sedes desditados!, afundais vossa espada no corpo de vosso semelhante e lhe fazeis perder a vida da alma no mesmo tempo que a vida do corpo !

Ai! O vencedor nestas lutas não tem do que se glorificar de uma vitória onde ele feriu de morte sua alma com a mesma espada que matou seu inimigo. Não é um ato de bravura, mas um verdadeiro acesso de loucura que vos impulsiona nas incertezas de semelhantes combates.

Eu vos ofereço, hoje, povo belicoso e bravo, uma bela ocasião de combater sem vos expor a perigo algum, de vencer com verdadeira glória e de morrer com vantagem.

Se vós vos entregais aos negócios, se vós procurais especulações vantajosas, eu não saberia vos indicar uma mais bela ocasião de fazer um comércio frutífero, não a deixeis passar.

Cruzai-vos, irmãos meus, e vós tereis a certeza de ganhar a indulgência de todos os vossos pecados confessados com um coração contrito.

Esta Cruz de pano não vale grande coisa se considerada em termos de dinheiro. Mas, colocada sobre um coração devotado, ela não vale menos que o Reino dos Céus.

Felizes, pois, aqueles que já se cruzaram, felizes também aqueles que seguindo o exemplo dos primeiros farão questão de pôr sobre seu peito o sinal da Salvação!

Assim seja.

(Fonte : São Bernardo de Claraval, “Obras Completas”, Carta nº CCCLXIII, “Ao povo e ao clero da França oriental”, ano 1146 [excertos]. Texto completo).









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