segunda-feira, 31 de julho de 2017

O descalabro de Maomé IV sultão do Império Otomano

Os janízaros derrotados nas portas de Viena, Martino Altomonte, (1657 – 1745)
Os janízaros derrotados nas portas de Viena, Martino Altomonte, (1657 – 1745)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: A libertação da Hungria invadida pelos muçulmanos



Uma das principais consequências da derrota de Mohács para os turcos foi a perda da Eslavônia. Reunindo-se após a fuga, o exército muçulmano começou a proclamar que a culpa cabia ao Grão-Vizir Solimão, “o Trapaceiro”.

Este astuto, percebendo que oferecendo riquezas aos soldados conseguia acalmá-los, fugiu para Constantinopla.

Os amotinados elegeram Siawusch Paxá como novo Grão-Vizir e enviaram uma petição ao Sultão, na qual pediam a deposição de Solimão.

Quando Maomé IV confirmou a nomeação de Siawusch, os amotinados exigiram a execução de Solimão e se puseram imediatamente em marcha contra Constantinopla. A perplexidade de Maomé IV foi imensa.

Para aplacar a fúria dos insurrectos, o Sultão condescendeu e enviou ao acampamento a cabeça do antigo Grão-Vizir.

Não obstante, os rebeldes continuaram avançando, pedindo depois a cabeça de todos os altos funcionários que lhes desagradavam. Em Constantinopla havia urgente necessidade de troca no trono.

O subgovernador turco Koproli e os chefes religiosos muçulmanos depuseram então Maomé IV, substituindo-o por Solimão, seu irmão mais velho. Maomé IV resignou-se à sua sorte, enquanto Solimão II, muito apreensivo e vacilante, subiu ao trono em 9 de novembro de 1687.

Com a chegada dos amotinados a Constantinopla, a cidade esteve durante algum tempo exposta a todos os horrores praticados por uma sublevação soldadesca.

Os rebeldes exigiam a cabeça de seus adversários; se lh’a entregavam, exigiam dinheiro; se este lhes era concedido, reclamavam postos e empregos. E foram aceitas todas as suas imposições.

Indignado com aquela situação, o agar chefe dos Janízaros apunhalou o principal promotor da rebeldia, mas foi feito em pedaços pelos amotinados.

Quando o próprio Siawusch tentou restabelecer a paz, seu palácio foi cercado e assaltado, sendo ele morto pelos mesmos que o haviam escolhido.

Constantinopla esteve durante alguns dias na situação de cidade tomada de assalto. Em nenhum motim anterior de soldados ocorreram fatos tão escandalosos.

José I foi coroado rei da Hungria com 9 anos
e imperador do Sacro Império com 26 anos.
Johann Huber (1668 – 1748) Schönbrunn Palace
Os habitantes da cidade começaram então a se levantar contra a sublevação. Intimidados, os sublevados perderam o ânimo.

Mas, naquela fase, muitas províncias haviam seguido o exemplo da capital, Constantinopla, que entrou em caos.

Coroação de José I na Hungria

Os imperiais aproveitaram essas turbulências e avançaram rapidamente, conquistando a fortaleza do rebelde Tököly.

Ao mesmo tempo, Tebas caiu em poder dos venezianos, e pouco depois Knin, na Croácia.

Alba Regia foi recuperada no ano seguinte, após um século e meio de domínio turco.

O Marquês Luís de Baden-Baden penetrou na Bósnia e derrotou o seu paxá em Derventa.

Carlos de Lorena se dirigiu à Transilvânia e fez anunciar ao príncipe Miguel Apaffy que esperava um recebimento amistoso, a libertação de seu país dos turcos.

Havia alguns anos que se discutiam tratativas de paz com a Transilvânia. Apaffy permaneceria em seu posto e, se aceitasse, haveria liberdade religiosa, além de muitas outras concessões.

Com a chegada do exército imperial às fronteiras, a decisão precisava ser tomada. Em 27 de outubro de 1687 ajustou-se em Blaj uma aliança entre o Imperador austríaco Leopoldo I e o príncipe Apaffy.

Em 31 de outubro realizou-se em Bratislava uma Dieta, convocada por Leopoldo I. Como resultado dessa assembleia, José, o primogênito do imperador, com apenas nove anos, recebeu o título de Rei da Hungria.

Em 9 de dezembro de 1687, o Primaz húngaro Jorge Szelepcsényi, Arcebispo de Esztergom, teve aos 90 anos a felicidade de colocar a coroa de Santo Estêvão na cabeça do descendente dos imperadores.

Esse fiel prelado, que havia prontamente ajudado o imperador nas duras despesas da guerra, aproveitou a ocasião para exortar o jovem rei com estas nobres palavras:

“Vence sobre teus inimigos exteriores, vence sobre a meia-lua! Mas, dentro da pátria, sê rei, o altar ao qual todos os súditos se dirijam com confiança.

“A maior defesa e apoio do rei é ser amado. Crê-me, um rei nunca pode fiar-se em medidas que inspirem o temor.

“Não serás feliz, se não fizeres os outros felizes. Vive, portanto, ó rei, de forma a seres amado por Deus e também por teus povos”.

Hungria finalmente libertada

Maximiliano Emanuel, Príncipe eleitor de Baviera. Joseph Vivien (1657-1735) Alte Pinakothek, Munique
Maximiliano Emanuel, Príncipe eleitor de Baviera, tomou Belgrado.
Joseph Vivien (1657-1735) Alte Pinakothek, Munique.
Em 6 de setembro de 1688 os cristãos, sob comando do príncipe da Baviera, conquistaram Belgrado, a última grande cidade húngara em poder do inimigo.

Na batalha, 7.000 morreram e 1.300 foram aprisionados. O terror por tantas derrotas foi tão grande, que o sultão enviou mensageiros de paz.

Para completar a vitória, Leopoldo I anunciou anistia geral para todos os que voltassem a obedecer ao rei.

Tököly, líder dos húngaros aliados dos turcos, temendo uma deserção geral, tentou impedi-la com o terror: 15 nobres foram empalados, 10 enforcados e 96 foram decapitados.

Em vão! Entre as tropas rebeldes, a deserção foi enorme. Dentro de 35 dias, 14 condes, 17 condados e 12 cidades livres reais juraram fidelidade ao rei.

Mais do que poder político, conquistar a Hungria era para os muçulmanos uma porta para a destruição da Cristandade.

Belgrado não pôde gozar por muito tempo de sua liberdade. Pouco depois, a cidade foi novamente dominada pelos inimigos. Em futuro post será exposta a batalha definitiva.


Notas:

Principal fonte consultada:Historia Universal, Juan Baptiste Weiss, Editora Tipografia La Educación, Tradução da 5° edição alemã, Barcelona, 1930, Vol. XI, p. 921 a 930.

(Autor: Ivan Rafael de Oliveira, CATOLICISMO).



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