segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Excerto 9º final: Os anjos levam a alma de Roland ao Paraíso

Os anjos levam a alma de Roland. Iluminura, BNF.
Os anjos levam a alma de Roland. Iluminura, BNF.
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Excerto 9º final: 

Os anjos levam a alma de Roland ao Paraíso

(continuação)

Roland prepara a liturgia de sua morte.

Orações finais do herói.

Os anjos descem a procurar sua alma.

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XVIII

Lors sent Roland qu’il a perdu la vue,
Então Roland sente que perdeu a vista,

Se met sur pieds, tant qu’il peut s’évertue,
E põe-se de pé como sua força lhe permite.


En son visage, sa couleur est perdue,
Do seu rosto, a cor se esvaiu.

Tout devant lui il y a une pierre brûne,
Diante dele está uma pedra escura.

Dix coups il frappe, par deuil et par rancune,
Com a espada descarrega-lhe dez golpes, por luto e cólera.

Grince l’acier, ni rompt ni s’ésgruignent.
Range o aço, e não se parte nem se embota.

Lors dit le comte : « Sainte Marie, aiude !
Então diz o conde: "Santa Maria, ajudai-me!

« Et, Durandal, quel mauvais sort vous eûtes,
Eh! Durindana, que má sorte tiveste!

« Quand je me perd, de vous n’en est plus cure,
Com minha morte não poderei mais cuidar de ti.

« Tantes batailles en champs, en ai vaincues
Tantas batalhas em campo aberto venci.

Et tantes terres larges escumbatues,
Em tão grandes terras conquistadas eu combati,

Qui Charles tient, qui la barbe a chenue !
Que pertencem a Carlos, cuja barba já ficou branca.

Ne vous aie nul qui puisse prendre fuge,
Que não vos possua ninguém que possa fugir!

Trop bon vassal vous a longtemps tenue !
Um bom vassalo já te portou por muito tempo.

Plus n’en sera en France l’absolue !
Mas ele não estará na França, a absoluta!



XIX
Roland toca o olifante e tenta destruir sua espada.  Vitral de Carlos Magno, catedral de Chartres
Roland toca o olifante e tenta destruir sua espada.
Vitral de Carlos Magno, catedral de Chartres

Lors sent Roland que la mor le trespend,
Então Roland sente que a morte o assalta,

Et de la tête dans le cœur lui descend,
E que a vida lhe abandona da cabeça até o coração,

Dessous un pin il est allé courant,
Vai às pressas debaixo de um pinheiro,

Sur l’herbe verte est couché sur ses dents,
Sobre a erva verde, deita-se, face em terra.

Dessous lui, met l’épée et l’olifant,
Debaixo de si põe a espada e o olifante;

Tourne sa tête vers la païenne gent,
Volta a sua cabeça para a gente pagã,

Ainsi il a fait, car il veut voirement
Faz assim porque quer que Carlos diga,

Que Charles dise ainsi que tous ces gens,
Bem como todos os seus,

Le gentil comte est mort en conquérant.
Que o gentil conde morreu conquistando!



XX

Le preux Roland dessous un pin se gît.
O valente Roland deita-se debaixo de um pinheiro;

De plusieurs choses a remembrer lui prit
Põe-se a lembrar de muitas coisas:

De tantes terres qui valliement conquist.
De tantas terras que conquistou galhardamente,

De douce France, des hommes de son ligne,
Da doce França, dos homens de sua linhagem.

Roland. Halberstadt, Alemanha
Roland. Halberstadt, Alemanha
De Charlemagne, le roi qui li nourri.
De Carlos Magno, o Rei que o nutriu.

Ne peut cesser ses pleurs et ses soupirs.
Não pode cessar de chorar e suspirar.

Mais ne se veut non plus mettre en oubli.
Mas não querendo esquecer-se,

Clame sa coulpe et crie à Dieu merci.
Clama sua culpa e pede a Deus misericórdia:

« Beau Père vrai qui oncques ne mentis,
"Oh! Verdadeiro Pai que nunca mentis,

Qui Lazaron de mort resurrexis,
Que ressuscitastes Lázaro dentre os mortos,

Et Daniel des lions guaresis,
E a Daniel preservastes dos leões,

Guaris de moi l’âme de tout péril,
Guardai minha alma de todo o perigo,

Pour les péchés qui dans ma vie je fis".
Pelos pecados que cometi em minha vida".

Son dextre gant au Seigneur Dieu l'offrit,
Sua luva direita ele ofereceu a Deus;

Saint Gabriel, de sa main lui a pris.
E São Gabriel de sua mão a recolheu.

Dessus son bras tenait le chef enclin.
Sobre o seu braço a cabeça inclinada,

Jointes ses mains est allé à sa fin.
Com as mãos postas, chegou ao seu fim.



XXI

Dieu lui transmit son ange Chérubin,
Deus enviou o seu Anjo Querubim,

Et avec lui Saint-Michel-du-Péril,
E com ele São Miguel do Monte Saint-Michel.

Ensemble à eux Saint-Gabriel y vint.
Junto com eles veio São Gabriel.

L'âme du comte portent en Paradis.
E levam a alma do conde ao Paraíso.




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