segunda-feira, 20 de julho de 2015

Saladino intimidado pela determinação dos defensores
– A perda de Jerusalém 2

Detalhe da batalha de Arsur. Eloi-Firmin Féron (1802-1876)
Detalhe da batalha de Arsur. Eloi-Firmin Féron (1802-1876)



continuação do post anterior: Heroica resistência

Balean de lbelin voltou várias vezes; renovou as súplicas e os rogos e sempre encontrou Saladino inexorável.

Um dia, quando os enviados cristãos rogavam-lhe instantemente que aceitasse as condições da sua capitulação, voltando-se para a praça e mostrando-lhes seus estandartes que esvoaçavam nas muralhas, disse-lhes: “Como quereis, que eu conceda condições a uma cidade vencida?”

No entretanto os muçulmanos foram derrotados e repelidos. Balean encorajado pelo feliz êxito que os cristãos acabavam de obter, disse ao sultão:

“Vedes que Jerusalém tem ainda defensores; se não pudermos obter de vós nenhuma misericórdia, tomamos uma resolução terrível e os excessos de nosso desespero vos encherão de terror.

“Esses templos e palácios que quereis conquistar serão completamente destruídos; todas as nossas riquezas que excitam a ambição e avidez dos sarracenos serão presa das chamas.

“Destruiremos a mesquita de Ornar, a pedra misteriosa de Jacó, objeto do vosso culto, será quebrada e reduzida a pó. Jerusalém possui cinco mil prisioneiros muçulmanos; todos eles perecerão pela espada.

“Degolaremos com nossas próprias mãos nossas mulheres, nossos filhos, e poupar-lhes-emos a vergonha de se tornarem vossos escravos.

“Quando a Cidade Santa não for mais que um monte de ruínas, um vasto túmulo, dela sairemos, seguidos pelos manes irritados dos nossos amigos, de nossos parentes, sairemos com o ferro e o fogo nas mãos.

“Nenhum de nós irá para o céu sem ter mandado para o inferno dez muçulmanos. Obteremos assim uma morte gloriosa e morreremos chamando sobre vós a maldição do Deus de Jerusalém.”

Assustado com essas ameaças, Saladino convidou os embaixadores a voltar no dia seguinte. Ele consultou os doutores da lei, que declararam que ele podia aceitar a capitulação proposta pelos habitantes da cidade, sem violar seu juramento.

As condições foram assinadas no dia seguinte, na tenda do sultão. Assim Jerusalém tornou a cair em poder dos infiéis depois de ter estado durante oitenta e oito anos sob o domínio dos cristãos.

Os historiadores latinos notaram que os cruzados tinham entrado na cidade numa sexta-feira, na mesma hora em que Jesus Cristo havia morrido, para expiar os crimes do gênero humano.

Os muçulmanos retomaram a cidade no dia I do aniversário, em que, segundo sua crença, Maomé partiu de Jerusalém para subir ao céu.

Essa circunstância que talvez levou Saladino a assinar a capitulação proposta, não deixou de acrescentar novo brilho ao seu triunfo entre os muçulmanos, e fez considerá-lo como favorito do profeta.

O vencedor concedeu a vida aos habitantes e permitiu-lhes resgatar a liberdade. O preço do resgate foi fixado em dez peças de ouro para os homens, cinco para as mulheres e duas para as crianças.

Os que não tinham meios de pagar o resgate, deviam continuar na escravidão.

Todos os guerreiros que estavam em Jerusalém, no momento da capitulação, obtiveram permissão de ir para Tiro ou para Trípoli, durante quarenta dias.

Essas condições, a princípio foram recebidas com alegria pelos cristãos; mas, quando viram aproximar-se o dia em que deviam sair de Jerusalém, sentiram imensa dor em ter que deixar os santos lugares.

Molhavam com suas lágrimas o túmulo de Cristo. Lamentavam não ter morrido para defendê-lo. Percorriam gemendo e chorando o Calvário e as Igrejas, que não deveriam mais tornar a ver.

Abraçavam-se chorando, nas ruas e deploravam suas fatais divergências. Os que não podiam pagar o resgate e que se iam tornar escravos dos muçulmanos, entregavam-se a todos os excessos do desespero.

Mas tal era nesses momentos cruéis, seu devotamento à religião da qual nem sempre tinham seguido os preceitos, que os ultrajes feitos aos objetos sagrados do seu culto, afligiam-nos mais que sua própria desgraça.

Uma cruz de ouro foi arrancada da cúpula da Igreja dos Templários e arrastada pelas ruas, pelos muçulmanos; todos os cristãos lançaram gritos de dor e de indignação e Jerusalém desarmada, esteve a ponto de se erguer contra seus vencedores.

Por fim chegou o dia fatal, em que os cristãos deviam se afastar de Jerusalém. Fecharam todas as portas da cidade, exceto a de Davi.

Saladino, assentado no trono, viu passar diante de si um povo desolado. O patriarca, seguido pelo clero, vinha por primeiro, levando os vasos sagrados e os ornamentos da Igreja do Santo Sepulcro e tesouros, diz um autor árabe, de que somente Deus conhecia o valor.

(Autor: Joseph-François Michaud, “História das Cruzadas”, vol. II, Editora das Américas, São Paulo, 1956. Tradução brasileira do Pe. Vicente Pedroso, páginas 414-433)

continua no próximo post: Saladino ocupa a Cidade Santa



GLÓRIA CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Heroica resistência – A perda de Jerusalém 1

Balian de Ibelin, carregando o jovem rei Balduino V.
Balian de Ibelin, carregando o jovem rei Balduino V.



1187: chegara o momento em que Jerusalém devia de novo cair em poder dos infiéis. Todos os muçulmanos pediam a Maomé esse último triunfo de Saladino.

Depois de ter tomado Gaza e várias fortalezas das vizinhanças, o sultão reuniu seu exército e marchou para a Cidade Santa.

Uma rainha em pranto, os filhos dos guerreiros mortos na batalha de Tiberíades, alguns soldados fugitivos, alguns peregrinos vindos do Ocidente, eram os únicos guardas do Santo Sepulcro.

Um grande número de famílias cristãs que tinham deixado as províncias devastadas da Palestina, enchiam a capital e bem longe de lhe dar auxílio, só serviam para aumentar a perturbação e a consternação que reinava na cidade.

Saladino aproximava-se da Cidade Santa; antes mandou vir à sua presença os principais habitantes e lhes disse:

“Eu sei, como vós, que Jerusalém é a casa de Deus; não quero profaná-la com o derramamento de sangue; abandonai suas muralhas e eu vos entregarei uma parte de seus tesouros, dar-vos-ei muitas terras que podereis cultivar. Não podemos, responderam-lhe eles, ceder-vos uma cidade onde nosso Deus morreu; menos ainda podemos vendê-la”.

Saladino, irritado com essa recusa, jurou sobre o Alcorão derrubar as torres e as muralhas de Jerusalém e vingar a morte dos muçulmanos massacrados pelos companheiros e pelos soldados de Godofredo de Bouillon.

Quando Saladino falava com os enviados de Jerusalém, um eclipse do sol cobriu de repente de trevas todo o céu e pareceu como um sinistro presságio para os cristãos.

No entretanto, os habitantes, encorajados pelo clero, preparavam-se para defender a cidade. Tinham escolhido para seu chefe a Balean de Ibelin, que estivera na batalha de Tiberíades.

Saladino, sultão do Egito, manuscrito do século XV
Saladino, sultão do Egito, manuscrito do século XV
Esse velho guerreiro, cuja experiência e virtudes inspiravam muita confiança e respeito, começou por restaurar as fortificações da praça e por formar na disciplina os novos defensores de Jerusalém.

Como ele não tinha oficiais, criou cinquenta cavaleiros entre os burgueses da cidade; todos os cristãos em condições de pegar em armas, juraram derramar seu sangue pela causa de Jesus Cristo.

Não havia dinheiro para custear as despesas da guerra; mas todos os meios de encontrá-lo pareceram então legítimos, ante o perigo grave que os ameaçava e à cidade de Deus.

Despojaram as igrejas e o povo assustado ante a aproximação de Saladino, viu, sem escândalo, converter-se em moeda todo o metal precioso que cobria a capela do Santo Sepulcro.

Logo os estandartes de· Saladino flutuaram sobre as alturas de Emaús. O exército muçulmano veio colocar seu acampamento nos mesmos lugares onde Godofredo, Tancredo e os dois Robertos tinham estendido suas tendas, quando atacaram a Cidade Santa.

Os sitiados a princípio opuseram forte resistência e fizeram frequentes incursões nas quais eles eram vistos tendo numa das mãos a espada e a lança e na outra, uma pá, com a qual atiravam poeira aos muçulmanos.

Um grande número de cristãos recebeu então a palma do martírio e partiu, dizem os historiadores, para a Jerusalém celeste. Muitos muçulmanos, mortos também pelas mãos dos inimigos, foram morar nas margens do rio que banha o Paraíso.

Saladino depois de ter acampado por alguns dias ao Ocidente da cidade, dirigiu seus ataques para o norte, e mandou minar as muralhas que se estendem desde a porta de Josafá até à de Santo Estêvão.

Os mais valentes dos cristãos saíram da praça, e procuraram corajosamente destruir as máquinas e frustrar os trabalhos dos infiéis.

Encorajando-se reciprocamente, repetindo estas palavras da Escritura: Um somente de nós fará os infiéis fugirem e dez porão em fuga dez mil.

Fizeram prodígios de valor mas não puderam impedir a continuação do cerco. Repelidos pelos muçulmanos, tornaram a entrar na cidade, onde seu regresso trouxe o desânimo e o terror.

As torres e as muralhas estavam prestes a ruir, ao primeiro sinal de um ataque geral. O desespero então, apoderou-se de todos os habitantes, que só encontraram como defesa, as lágrimas e a oração.

Os soldados corriam para as igrejas em vez de tomar as armas; a promessa de cem moedas de ouro não era capaz de mantê-los durante uma noite nas muralhas ameaçadas.

Das Crônicas de Ultramar, de Guilherme de Tyro
Das Crônicas de Ultramar, de Guilherme de Tyro
O clero fazia procissões pelas ruas para invocar a proteção do céu. Uns feriam o peito com pedras; outros rasgavam o corpo com cilícios, exclamando: Misericórdia; em Jerusalém só se ouviam gemidos.

Mas, Nosso Senhor Jesus Cristo, diz uma velha crônica, não os queria ouvir, pois a luxúria e a impureza que havia na cidade, não deixavam oração alguma subir até Deus.

O desespero dos habitantes inspirava-lhes ao mesmo tempo mil projetos contrários. Ora tomavam a resolução de sair da cidade e de buscar uma morte gloriosa entre os infiéis; ora punham sua última esperança na clemência de Saladino.

No meio da perturbação e da agitação geral, os cristãos gregos e sírios, os cristãos melquitas, que suportavam com dificuldade a autoridade dos latinos, acusavam-nos das desgraças da guerra.

Descobriu-se uma traição que eles haviam tramado para entregar Jerusalém aos muçulmanos; essa descoberta duplicou a inquietação e determinou os chefes da cidade a pedir capitulação a Saladino.

Acompanhados por Balean de lbelin vieram propor ao sultão entregar-lhe a. praça, nas condições que ele mesmo lhes havia imposto antes do cerco.

Mas Saladino lembrou-se de que tinha feito o juramento de tomar a cidade de assalto e de passar a fio de espada todos os habitantes. Despediu os embaixadores sem lhes dar nenhuma esperança.


(Autor: Joseph-François Michaud, “História das Cruzadas”, vol. II, Editora das Américas, São Paulo, 1956. Tradução brasileira do Pe. Vicente Pedroso, páginas 414-433)

Continua no próximo post: Saladino intimidado pela determinação dos defensores


GLÓRIA CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Europa no século XXI: pepineira de soldados da guerra santa do islã !

Três jihadistas franceses conclamam os muçulmanos da França para irem lutar na Síria,
em vídeo de propaganda do Estado Islâmico.



O jornal parisiense Le Figaro calculou que cerca de 1.600 franceses estão engajados nas fileiras da guerra santa islâmica e que mais de 100 deles já foram mortos.

Os mais recentes casos seriam dois adolescentes de 12 e 14 anos, que partiram para o Oriente há dois anos junto com a mãe, originária da região de Toulouse.

A jihad (guerra santa islâmica) em princípio é uma guerra divinamente enlouquecida e sem retorno. Os 100 islamitas que partiram da Franca e perderam a vida na Síria ou no Iraque foram recenseados pelos serviços antiterroristas gauleses.

A taxa de mortalidade dos jihadistas franceses é especialmente alta, talvez pelo fanatismo exibido, como também é alto o número de voluntários de Alá partidos do território francês que estão combatendo: 450 ainda estão lá e 260 teriam voltado para recrutar novos guerreiros.

Mais dois irmãos maiores de idade, originários de Trappes, departamento de Yvelines, na periferia de Paris, perderam recentemente a vida em combate.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Infidelidades dos cruzados põem em risco o reino de Jerusalém

Reynaud de Chatillon cruzado intrépido mas discolo, por imprudência desperdiçou muitas de suas empresas e pôs em risco o reino cristão
Reynaud de Chatillon cruzado intrépido mas discolo,
por imprudência desperdiçou muitas de suas empresas
e pôs em risco o reino cristão



Mas, enquanto de um lado impeliam seus inimigos para além do deserto, novos perigos ameaçavam-nos do lado da Síria. Nur al-din, à força de lisonjas e de promessas, se tornara senhor de Damasco e essa cidade fazia-o temível a todos os povos das vizinhanças.

Entretanto (ano 1154) as colônias cristãs ficaram por algum tempo num estado de inação que parecia paz.

O único acontecimento notável dessa época, foi a expedição de Renaud de Chatillon, Príncipe de Antioquia, à ilha de Chipre.

Renaud e seus cavaleiros precipitaram-se de improviso sobre uma população pacífica e desarmada.

Aqueles guerreiros bárbaros, não respeitavam as leis, nem da religião, nem da humanidade e saquearam as cidades, os mosteiros e as igrejas, e voltaram a Antioquia carregados de despojos de um povo cristão.

Renaud tinha empreendido essa guerra ímpia, para se vingar do imperador grego, que ele acusava de não ter mantido suas promessas.

Ao mesmo tempo, no ano 1156, o Rei de Jerusalém fez uma excursão que não feria menos as leis da justiça.

Algumas tribos árabes tinham obtido dele e de seus predecessores a faculdade de dar pastagem a seus rebanhos na floresta de Panéias. Há muitos anos eles viviam em perfeita segurança, confiando na fé dos tratados.

De repente Balduino e seus cavaleiros apareceram de espada na mão, atacando aqueles pastores desarmados; massacraram os que resistiram, dispersaram os demais e voltaram a Jerusalém com os rebanhos e os despojos dos árabes.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Cruzados quase perdem a cidade de Ascalon
que praticamente tinham conquistado

Mapa político do Próximo Oriente em 1135 com os estados cruzados
Mapa político do Próximo Oriente em 1135 com os estados cruzados



Os latinos, muitas vezes dirigiram seus exércitos contra Ascalon, o baluarte mais firme do Egito, do lado da Síria.

O rei Balduino III, seguido por seus cavaleiros, se havia dirigido àquele lugar, com a intenção de devastar seu território. A aproximação dos cristãos suscitou o terror entre os habitantes, o que inspirou ao rei de Jerusalém a determinação de sitiar a cidade.

Mandou imediatamente mensageiros a todas as cidades cristãs, comunicando sua empresa, inspirada por Deus e rogando aos guerreiros que se reunissem ao exército.

Barões e cavaleiros acorreram imediatamente; os prelados e os bispos da Judéia e da Fenícia, vieram também tomar parte na santa expedição; o patriarca de Jerusalém ia-lhes à frente, levando a verdadeira cruz de Jesus Cristo.

A cidade de Ascalon erguia-se em círculo à beira-mar e tinha do lado da terra, muralhas e torres inexpugnáveis; todos os habitantes estavam exercitados na arte da guerra, e o Egito, que tinha grande interesse na conservação daquela praça, para lá mandava quatro vezes por ano, víveres, armas e soldados.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Bispo nigeriano: o terço derrotará o Islã

D. Oliver Dashe Doeme, bispo da diocese de Maiduguri, Nigéria:
o terço está nos dando a vitória contra o terrorismo do Islã




Dom Oliver Dashe Doeme, bispo da diocese de Maiduguri, nordeste do estado de Borno, na Nigéria, disse ter visto Cristo lhe oferendo uma espada para combater a organização islâmica Boko Haram (figurativamente = “a educação ocidental ou não-islâmica é um pecado”), que aterroriza o país. Ele narrou o fato à agência Catholic News Agency.

Quando ele pegou a espada, ela se transformou no Terço de Nossa Senhora. O Terço é o instrumento chave para afastar o terrorismo islâmico do país. Ele deve ser rezado até que o islamismo desapareça da Nigéria, explicou.

Fato análogo aconteceu na Áustria, ocupada pelos soviéticos após a II Guerra Mundial: a cruzada de orações do Rosário foi tão bem sucedida que os invasores comunistas abandonaram o país que haviam dominado com seus tanques e suas botas.

Dom Olivier estava rezando o Rosário diante do Santíssimo Sacramento na sua capela pessoal quando teve a visão.

Segundo ele, Jesus de início nada disse, mas lhe ofereceu a espada. “Assim que peguei no gládio, ele se transformou num terço” e Jesus repetiu três vezes: “O Boko Haram irá embora”.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Nur ad-Din: exemplo de despota islâmico
zelota contra o cristianismo

Nur al-din, Sultão de Damasco, foge num animal de carga dos cavaleiros Godfrey Martel e Hugh de Lusignan o Velho
Nur al-din, Sultão de Damasco, foge num animal de carga
dos cavaleiros Godfrey Martel e Hugh de Lusignan o Velho



Nur ad-Din, filho de Zenghi, que se havia apoderado da cidade de Edessa, antes da segunda Cruzada, tinha herdado as conquistas de seu pai e as tinha aumentado com seu valor.

Ele foi educado por guerreiros que tinham jurado derramar seu sangue pela causa do profeta; quando ele subiu ao trono, lembrou a austera simplicidade dos primeiros califas.

“Nur ad-Din, diz um poeta árabe, unia o heroísmo mais nobre à mais profunda humildade. Quando ele orava no templo, seus súditos julgavam ver um santuário em outro santuário.”

Ele encorajava as ciências, cultivava as letras, e procurava fazer florescer a justiça nos seus territórios.

domingo, 24 de maio de 2015

Nossa Senhora Auxiliadora, vencedora do islamismo

Maria Auxiliadora
basílica de Maria Ausiliatrice, Turim




No 24 de maio comemora-se a festa de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos.

A devoção foi largamente difundida por São João Bosco e começa pelos menos num milagre feito por Nossa Senhora numa hora em que os islâmicos, como também fazem hoje, ameaçavam tomar conta das nações cristãs da Europa.

Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante.

Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei do Corão as nações católicas, e, sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.

Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia.

O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes. Em 1524 o novo sultão Solimão II ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena.

No litoral dalmático os turcos saqueavam e destruíam as cidades e as ilhas próximas à Grécia.

A Espanha engajava-se individualmente numa guerra contra a Tunísia e a Argélia, em 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em junho de 1552 tomavam elas parte da Transilvânia.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Jihad vs Cruzadas: quem agrediu primeiro, mais e pior?

Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político
Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político.



Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político, teve uma ideia muito valiosa. Ele observou que:
“sempre que você está lidando com um apologista do Islã, ou até mesmo com um muçulmano, e você fala da jihad (ou guerra santa islâmica), ele quase imediatamente dispara: ‘Mas, e essas terríveis cruzadas?’”.

Bill explicou que eles justificam moralmente a guerra santa se ela for contra o Ocidente cristão. Porém, eles se dizem contra as cruzadas, essa guerra santa promovida e aprovada por Papas, Santos e Doutores da Igreja.

Enquanto os muçulmanos não se envergonham de sua aberrante contradição, no mundo cristão parece haver vergonha de falar das santas e heroicas empresas feitas sob o signo da Cruz.

Bill enfrentou o problema pelo lado dos fatos. Ele criou um banco de dados de 548 batalhas provocadas pelo Islã contra a civilização cristã. E não foram todas: faltam combates provocados pelo islamismo invasor na África, na Índia, no Afeganistão e outros locais.

Com esses dados ele montou um mapa dinâmico e o postou em http://politicalislam.com/jihad-vs-crusades/. Apresentamos uma tradução dos excertos mais relevantes, o quer dizer de quase tudo:

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Fanatismo, desordem, crimes, vícios e imoralidade
atolavam o mundo islâmico

Guerras intestinas e revoltas sanguinárias fazem parte do quotidiano islâmico
Guerras intestinas e revoltas sanguinárias fazem parte do quotidiano islâmico




A cada época memorável, vemos aparecerem homens cujas qualidades os elevam acima do vulgar e que diferem entre si pelo gênio, pelas paixões ou virtudes.

Esses homens extraordinários, como as figuras que animam as produções dos grandes pintores, imprimem seu caráter em tudo o que os rodeia e o brilho que difundem em redor de si, o interesse que fazem nascer por suas ações e sentimentos, nos ajudarão muitas vezes a colorir e a variar as narrações e as cenas desta história.

Os que estudaram os costumes e os anais do Oriente, puderam notar que a religião de Maomé, embora seja toda guerreira, não dava aos seus discípulos aquela bravura persistente, aquela perseverança nos revezes, aquele devotamento sem limites de que os cruzados deram tantos exemplos.

O fanatismo dos muçulmanos tinha necessidade de resultados felizes para conservar a força.

Formados à ideia de um fanatismo cego, eles estavam habituados a considerar o sucesso ou o revés como uma determinação do céu; vitoriosos, mostravam-se cheios de confiança e de ardor; vencidos, deixavam-se abater e cediam sem enrubescer a um inimigo que consideravam como instrumento do destino.

O desejo de conquistar fama raramente excitava-lhes a coragem; e, mesmo no auge de seu furor belicoso, o temor dos castigos os detinha no campo de batalha muito mais que a paixão da glória.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Recomeçam as Cruzadas?



Nos últimos dois anos, cristãos idealistas do Ocidente têm-se alistado voluntariamente nas milícias cristãs que combatem contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Eles mencionam a frustração que lhes causam os governos ocidentais, que nada fazem de eficaz para combater os islamitas ultra-radicais ou prevenir o sofrimento de inocentes cruelmente massacrados.

A crítica bem pode estar se estendendo aos líderes eclesiásticos que, embora falando em nome de Cristo, pregam um ecumenismo e um diálogo imprudente, a ponto de dizer que não se deve combater os bandos islâmicos.

Multiplica-se o número de novos livros produzidos por importantes professores universitários nos EUA, desfazendo as falsas acusações contra as Cruzadas. Eles restabelecem sisuda e devidamente, no lugar de honra que lhes é próprio, essas grandes iniciativas da Igreja e da Cristandade.

A agência Reuters entrevistou um veterano do exército norte-americano que regressou recentemente ao Iraque, para se juntar à milícia cristã que luta contra o Estado Islâmico.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 2

Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos
Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena
usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos


Continuação do post anterior: Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas não resistem à crítica histórica – 1




Segundo mito: “os cristãos ocidentais foram às cruzadas porque sua avareza os motivou a saquear os muçulmanos para ficarem ricos”

“Novamente –explica– não é verdade”.

Alguns historiadores como Fred Cazel explicam que “poucos cruzados tinham suficiente dinheiro para pagar suas obrigações em casa e manter-se decentemente nas cruzadas”.

Desde o começo mesmo, recorda o Dr. Paul F. Crawford, “as considerações financeiras foram importantes no planejamento da cruzada. Os primeiros cruzados venderam muitas de suas posses para financiar suas expedições que geraram uma estendida inflação”.

“Embora os seguintes cruzados levaram esta consideração em conta e começaram a economizar muito antes de embarcar nesta empresa, o gasto seguia estando muito perto do proibitivo”, acrescenta.

Depois de recordar que o que alguns estimavam que as Cruzadas iam custar era “uma meta impossível de ser alcançada”, o historiador assinala que “muito poucos se enriqueceram com as cruzadas, e seus números foram diminuídos sobremaneira pelos que empobreceram. Muitos na idade Média eram muito conscientes disso e não consideraram as cruzadas como uma maneira de melhorar sua situação financeira”.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 1

São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,  foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)
São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,
foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)




O historiador Dr. Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), é outro dos especialistas que desmentiram os falsos mitos anticatólicos sobre as Cruzadas.

Seu trabalho apareceu originalmente na edição de primavera da 2011 da Intercollegiate Review, sob o título “Four Myths about the Crusades”, e foi divulgado, entre outros por ACIDigital.

Ele denunciou que com frequência “as cruzada são mostradas como um episódio deploravelmente violento no qual libertinos ocidentais, que não tinham sido provocados, assassinavam e roubavam muçulmanos sofisticados e amantes da paz, deixando padrões de opressão escandalosa que se repetiriam na história subsequente”.

“Em muitos lugares da civilização ocidental atual, esta perspectiva é muito comum e demasiado óbvia para ser rebatida”, prossegue.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Balduíno IV é enterrado ao pé do Gólgota, junto ao Santo Sepulcro

Raimundo de Tripoli nomeado regente. BNF Français 2824, fol. 162v
Raimundo de Tripoli nomeado regente.
BNF Français 2824, fol. 162v

continuação do post anterior: Quase cego e imobilizado, Balduíno IV volta a vencer Saladino e a inépcia dos vassalos


Os últimos meses do reinado de Balduíno IV quase viram estourar uma guerra civil sob o olhar inimigo.

Guy de Lusignan aproveitou-se de uma ausência de Balduíno para correr até Jerusalém, onde estava Sibila, e levá-la consigo antes do retorno do rei.

Refugiou-se com ela em seu feudo de Jaffa-Ascalon e recusou atender às ordens do rei, que lhe exigia comparecer na sua presença. Foi então luta aberta.

O rei marchou sobre Ascalon, cujas portas encontrou fechadas. Mas conseguiu tomar Jaffa. Em seguida reuniu um “parlamento” em São João de Acre, para acabar com o rebelde.

O patriarca Heráclio e o Grande Mestre do Templo tentaram interceder por ele.

Mas Guy tornava desmerecido o perdão também pelo fato de ser culpado por uma ação abominável.

Nas circunvizinhanças de Ascalon viviam beduínos nômades, tributários e ‘clientes’ do rei. Eles faziam pastar seus rebanhos com toda confiança quando, para causar dano ao soberano, Guy se jogou sobre eles e os massacrou.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Quase cego e imobilizado, Balduíno IV volta a vencer Saladino e a inépcia dos vassalos


continuação do post anterior: Diante de Beirute, Saladino foge de Balduíno IV

Diante de um adversário com a atividade de Saladino, teria sido necessário que o rei leproso estivesse sem cessar acima do cavalo para frustrar os planos inimigos.

As campanhas francas do outono de 1182 tinham salvo a independência de Alepo dos ataques do sultão.

Mas, no ano seguinte, a imperícia dos últimos reis turcos locais lhe entregou a cidade (junho de 1183). A partir dali, a Síria muçulmana pertencia ao grande sultão, do mesmo modo que todo o Egito.

Pese os esforços desesperados de Balduíno IV, a situação dos francos se degradava cada vez mais. Após a anexação de Alepo, Saladino voltou à sua boa cidade de Damasco a fim de organizar a invasão da Palestina (agosto de 1183).

Sabendo desta notícia, Balduíno convocou todas as forças francas nas fontes de Sephoria, na Galileia, ponto de concentração habitual das armas cristãs. Foi lá que a doença venceu seu heroísmo.

Após uma interrupção de alguns meses, a terrível doença retomou seus progressos. Balduíno IV entrou em estado terminal.

“Sua lepra – diz o cronista – debilitava-o até o ponto de ele não mais conseguir fazer uso de suas mãos e de seus pés. Ele estava todo apodrecido e ia a perder a visão”.

Nesse estado, quase cego, longamente imobilizado em seu leito, um cadáver vivo, ele ainda lutava contra o destino. Quem acompanhou sua atividade desde o início da doença compreende o combate patético e doloroso que ele livrou contra si mesmo.