segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O cruzado é o soldado do Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Godofredo de Bouillon. Fundo: igreja do Santo Sepulcro
Godofredo de Bouillon. Fundo: igreja do Santo Sepulcro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O Cruzado é o soldado do Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Nas aulas do bom catecismo se ensina que Nosso Senhor Jesus Cristo verteu o sangue dEle para remir o gênero humano e resgatar todos os homens.

Com uma bondade infinita Ele verteu o Seu Sangue de modo tão abundante que, depois de morto, ainda um certo líquido havia no Seu Corpo.

E querendo Ele verter tudo por amor aos homens, Ele consentiu que Longinus, o centurião, transpassasse o Seu Coração com uma lança e o último líquido saísse.

A Igreja nasceu do lado ferido de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso é para lá de sublime, para lá de admirável!

O Coração de Jesus que traz consigo a chaga de uma lancetada, porque Ele amou tanto os homens, que quis que o Coração dEle fosse cravado, já morto, para que absolutamente nada restasse para dar nEle. Que coisa maravilhosa!

Ele foi tirado da Cruz e ficou no colo de Nossa Senhora. Seu divino corpo foi ungido e levado numa procissão de todos os fiéis que tinham ficado rumo ao Sepulcro escavado na rocha. Ali o Corpo foi colocado e o local foi trancado.

Ele ressuscitou no dia da Páscoa. Esse Sepulcro, esse lugar sacratíssimo ainda existe. É o santuário incomparável onde o Corpo dEle permaneceu três dias morto, e onde se deu a glória da Ressurreição.

Seu Sepulcro ainda está na terra, não foi espandongado, não perdeu a identidade, e é possível ir venerar o Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A expressão Santo Sepulcro exprime tão bem o que há de sagrado no local que as sílabas parecem musicais: Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que coisa augusta! Que coisa triste! Que coisa respeitável!

Para entrar lá dentro, deve-se entrar de joelhos. O homem não pode calcar os pés onde o Corpo do Salvador repousou. Tem que ser de joelhos e tem que beijar aquilo milímetro por milímetro, se for possível.

O nome Santo Sepulcro sugere a ideia – que, aliás, não é verdadeira – de ter uma côr profunda, mais ou menos como a de um veludo vermelho “bourgogne”.

É como se aquela pedra, que tinha tocado no Corpo dEle tivesse ficado como um veludo toda tingido pelo Sangue sacrossanto dEle

Isto posto, brandir uma lança para mandar embora os ímpios que estavam lá? Mas como não?! Lá vamos!

É bem evidente, em todas essas impressões que as notícias de Cruzada e de Guerra Santa trazem à alma um equilíbrio entre a bondade e a força.

Para todos aqueles que ouviram falar de Cruzada, de libertação do Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo, das guerras que eles teriam que enfrentar, sentiram um convite para serem almas grandiosas, heroicas, almas que tomam o ataque na legítima defesa do Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Balduino I, rei de Jerusalém, na batalha de Jaffa. Henri Auguste Calixte César Serrur (1794-1865). Museu de Versailles.
Balduino I, rei de Jerusalém, na batalha de Jaffa.
Henri Auguste Calixte César Serrur (1794-1865). Museu de Versailles.
As Cruzadas dão um matiz à alma católica indispensável para que seja verdadeiramente católica.

Uma das mais belas luzes da Igreja Católica está nas Cruzadas. E é contemplando essa luz das Cruzadas que o católico consegue essa harmonia de alma, que pode fazer dele um homem inteiramente grato a Deus.

Este é o sulco que as Cruzadas deixaram, inclusive na nossa geração. Quando se houve falar dessas Cruzadas reluzam com brilho um convite: sede suaves, humildes, doces; sede fortes como leões!

Qual é o contrário do espírito das Cruzadas?

É o espírito ecumênico, no seu sentido progressista.

Esse é o contrário do espírito das Cruzadas. Segundo esse falso ecumenismo todas as religiões valem umas às outras, mais ou menos são todas verdadeiras e são todas falsas, a católica inclusive.

E todas as doutrinas também, são coisas concebidas pelo homem, mas não tem realidade objetiva nenhuma...

Segundo esse espírito ecumênico, não há uma verdade absoluta, não há um erro categoricamente errado, não há nada disso.

Há combinações: todos os homens combinam tudo, misturam tudo.

Não há bem nem mal, não há verdade nem erro.

É o ecumenismo contemporâneo, com os seus exageros e os seus delírios, contra os quais todos os anjos e santos do Céu pedem uma Cruzada.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 2/6/84. Sem revisão do autor)



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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Da invasão migratória à guerra civil

Enfrentamentos étnicos em Londres
Enfrentamentos étnicos em Londres
Roberto de Mattei
(1948 - )
professor de História,
especializado nas ideias
religiosas e políticas no
pós-Concilio Vaticano II.




O plano era — e continua sendo — de destruir os Estados nacionais e suas raízes cristãs, não para construir um super-Estado, mas para criar um não-Estado, um horrível vácuo, no qual tudo aquilo que ainda tem a aparência de verdade, de bom, de justo, seja tragado no abismo do caos.

Até os mais relutantes começam agora a abrir os olhos. Existe um plano organizado para desestabilizar a Europa por meio da invasão migratória.

Este projeto vem de longe. No fim dos anos noventa, no livro 1900 a 2000. Dois sonhos se sucedem: a construção, a destruição (Fiducia, Roma 1990), descrevi-o através das palavras de alguns de seus “apóstolos”, como o escritor Umberto Eco e o cardeal Carlo Maria Martini.

Eco escrevia:

“Hoje na Europa não estamos diante de um fenômeno de imigração. Encontramo-nos diante de um fenômeno migratório […]

“e, como todas as grandes migrações, terá como resultado final uma reorganização étnica da terra de destino, uma mudança inexorável dos costumes, uma incontenível hibridação que mudará estatisticamente a cor da pele, do cabelo, dos olhos das pessoas”.

O cardeal Martini, por sua vez, julgava necessária “uma escolha profética” para se compreender que “o processo migratório em curso, do Sul cada vez mais pobre para o Norte cada vez mais rico, é uma grande oportunidade ética e civil para uma renovação, para inverter a rota da decadência do consumismo em curso na Europa Ocidental”.

O Cardeal Carlo Martini foi um dos bardos da dissolução cultural da Europa cristã por meio de invasões
O Cardeal Carlo Martini foi um dos bardos
da dissolução cultural da Europa cristã
por meio de invasões
Nessa perspectiva de “destruição criativa”, comentou ele, “não seriam os imigrantes que deveriam integrar-se na civilização europeia, mas seria ao contrário, a Europa que deveria desintegrar-se e regenerar-se graças à influência das etnias que a ocupam […]

“É o sonho de uma desordem criativa, de um choque semelhante àquele que deu nova vida ao Ocidente na época das invasões bárbaras, para gerar a sociedade multicultural do futuro”.

O plano era — e continua sendo — de destruir os Estados nacionais e suas raízes cristãs, não para construir um super-Estado, mas para criar um não-Estado, um horrível vácuo, no qual tudo aquilo que ainda tem a aparência de verdade, de bom, de justo, seja tragado no abismo do caos.

A pós-modernidade é esta: não um projeto de “construção”, como tinha sido a pseudo-civilização nascida do Humanismo e do Iluminismo, e que resultou no totalitarismo do século XX, mas uma utopia nova e diferente: a da desconstrução e tribalização Europa.

O fim do processo revolucionário que durante muitos séculos atacou a nossa civilização é o niilismo; o “nada estruturado”, segundo uma feliz expressão de Mons. Jean-Joseph Gaume (1802-1879).

Os anos se passaram e a utopia do caos se transformou no pesadelo que estamos vivendo.

O projeto de desintegração da Europa descrito por Alberto Carosa e Guido Vignelli em seu documentado estudo A invasão silenciosa. O “imigracionismo”: benefício ou conspiração? (Roma 2002) tornou-se um fenômeno de época.

Quem denunciava esse projeto era chamado de “profeta de desgraça”.

Hoje ouvimos dizer que se trata de um processo incontenível, que deve ser “governado”, mas não pode ser freado.

O mesmo foi dito do comunismo nos anos setenta e oitenta do século passado, até que veio a queda do Muro de Berlim, para mostrar que nada é irreversível na História, exceto, talvez, a cegueira dos “idiotas úteis”.

O plano é destruir os Estados nacionais e suas raízes cristãs
O plano é destruir os Estados nacionais e suas raízes cristãs. Islâmicos atacam à polícia alemã.
Entre esses idiotas úteis devem certamente ser contados os prefeitos de Nova York, Paris e Londres, respectivamente Bill de Blasio, Anne Hidalgo e Sadiq Khan, que em 20 de setembro, por ocasião da Assembleia Geral das Nações Unidas, em uma carta ao “The New York Times” intitulada Our immigrants, our strenght (Nossos imigrantes, nossa força), lançaram um apelo “para se tomarem medidas visando garantir assistência e abrigo seguro aos refugiados que fogem dos conflitos e aos migrantes em fuga da miséria”.

As centenas de milhares de imigrantes que chegam em nossas costas não fogem nem do conflito, nem da miséria.

São jovens com ótima saúde, aparência bem cuidada, sem sinal de lesão ou desnutrição, como acontece com aqueles que vêm de zonas de guerra ou de fome.

O coordenador do antiterrorismo da União Europeia, Gilles de Kerchove, falando em 26 de setembro no Parlamento Europeu, denunciou a infiltração maciça do ISIS entre esses imigrantes.

Pior ainda do que se entre eles os terroristas fossem apenas uma pequena minoria, todos os imigrantes ilegais que desembarcam na Europa são portadores de uma cultura antitética à cristã e ocidental.

Eles não querem integrar-se na Europa, mas dominá-la, se não com armas, através do ventre de suas mulheres e das nossas.

Onde esses grupos de jovens muçulmanos do sexo masculino se estabelecem, as mulheres europeias engravidam, formam-se novas famílias “mistas” submetidas à lei do Alcorão que exigem do Estado mesquitas e subvenção econômica.

Isso é feito com o apoio dos prefeitos, das prefeituras e das paróquias católicas.

A reação da população é inevitável, e em países com alta taxa de imigração, como a França e a Alemanha, está se tornando explosiva.

“Estamos à beira de uma guerra civil”, disse Patrick Calvar, chefe da DGSI, a Direção-Geral da segurança interna francesa, diante de uma comissão parlamentar (“Le Figaro”, 22 de junho de 2016).

O governo alemão, por sua vez, elaborou um “plano de defesa civil” de 69 páginas, no qual se convida a população a fazer estoque de comida e de água, e“preparar-se adequadamente para um evento que poderá ameaçar a nossa existência” (Reuters, 21 de agosto de 2016).

Quem são os responsáveis por essa situação? Devemos olhar para eles em diversos níveis.

Há naturalmente a classe dirigente pós-comunista e de Maio de 1968, que assumiu as rédeas da política europeia; há intelectuais que elaboraram teorias deformadas no campo da física, da biologia, da sociologia, da política; há certos lobbies, a maçonaria, os potentados financeiros, que agem ora na escuridão, ora em plena luz do dia.

Em Lampedusa, 08-07-2013, o Papa Francisco I fez uma increpação contra a Europa que soou como um convite às invasões massivas islâmicas.
Em Lampedusa, 08-07-2013, o Papa Francisco I
fez uma increpação contra a Europa
que soou como um convite às invasões massivas islâmicas.
E é conhecido, por exemplo, o papel do financista George Soros e de sua fundação internacional Open Society.

Após um ataque de hackers, mais de 2.500 e-mails foram roubados do servidor do magnata americano-húngaro e publicados na internet, através do portal DC Leaks.

A correspondência privada substraída a Soros revela o seu financiamento de atividades subversivas em todos os campos, da agenda LGBT aos movimentos pró-imigração.

Com base nesses documentos, Elizabeth Yore, em uma série de artigos em “The Remnant”, mostrou o apoio de Soros, direto e indireto, também ao Papa Bergoglio e a alguns de seus colaboradores mais próximos, como o cardeal Oscar Andres Rodríguez Maradiaga e o arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo.

Entre George Soros e o Papa Francisco aparece uma convergência estratégica objetiva.

A política do acolhimento, apresentada como a “ religião das pontes”, em oposição à “religião dos muros”, tornou-se o lema do pontificado de Francisco, a ponto de alguém se perguntar se a sua eleição não foi favorecida com o objetivo de oferecer aos arquitetos da invasão migratória o “endosso” moral de que necessitam.

O certo é que hoje a confusão na Igreja e na sociedade avançam lado a lado.

O caos político prepara a guerra civil, o caos religioso abre caminho aos cismas, que são uma espécie de guerra civil religiosa.

O Espírito Santo, cujas inspirações os cardeais nem sempre seguem no conclave, não deixa entretanto de agir e hoje alimenta o sensus fidei daqueles que se opõem aos projetos de demolição da Igreja e da sociedade.

A Divina Providência não os abandonará.


(Fonte: “Corrispondenza Romana”, 5-10-2016. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana).



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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Na catedral de VIENA: glorificação de São João de Capistrano,
herói da Cruzada contra os turcos

O púlpito desde onde
São João de Capistrano
pregou a Cruzada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





No lado externo da catedral de Viena, capital da Áustria, perto da entrada das catacumbas se encontra o chamado púlpito de São João de Capistrano coroado de glória.

É um conjunto que chama a atenção de todos os que passam por esse local central.

Na noite: catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
Mas poucos explicam por que é que está do lado de fora da catedral um tão pomposo monumento que tem como peça central um púlpito.

Desde esse púlpito que outrora era o principal dentro da catedral, o santo capuchinho São João de Capistrano pregou a Cruzada em 1456 para repelir as invasões muçulmanas que se abatiam sobre a Europa Cristã.

O púlpito foi usado também pelo voivoda [título de nobreza para o defensor das fronteiras, equivalente ao de marquês] húngaro João Hunyadi, comandante das forças cruzadas que arengou os soldados para a difícil campanha militar que se avizinhava.

A estátua do santo está coroada por um sol com a inscrição IHS: Iesus Hominibus Salvator, Jesus Salvador dos Homens, feita no século XVIII.

O santo frade filho espiritual de São Francisco é apresentado esmagando um turco derrotado.

São João de Capistrano O.F.M. (1386 – 1456), foi cognominado O Guerreiro Franciscano de Belgrado.

Interior da catedral onde estava o púlpito medieval.
Interior da catedral onde estava o púlpito medieval.
O episódio principal daquela Cruzada se deu nas batalhas livradas por ocasião do sitio de Belgrado de 1456.

Os maometanos foram esmagados por um exército fundamentalmente austríaco, cujo o grande animador foi o humilde capuchinho.

A catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
A catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
O santo de origem italiana, como indica seu nome, famoso pela sua oratória cheia de fé que movia os corações mais endurecidos, foi enviado pelo Papa Nicolau V, convocador da Cruzada, como seu pregador e chefe religioso.

São João de Capistrano foi um capuchinho que percorreu o tempo inteiro as fileiras dos cavaleiros, mostrando-lhes o Crucifixo e pregando a guerra.

Num momento desesperado do combate São João de Capistrano ordenou aos homens que voltassem se refugiar nas muralhas.

Mas ele inspirava tanta confiança que logo se viu rodeado por 2.000 cruzados que não queriam se afastar dele.

Então lhes ordenou avançar contras as linhas turcas exclamando: “O Deus que iniciou a batalha se encarregará de terminá-la!”

Quando, no cair da tarde, os turcos fugiram, fez-se, como era costume naquele tempo, a celebração do chefe vitorioso.

Hunyadi, general das tropas cristãs mandou chamar São João de Capistrano e disse:

“Ele vai ganhar as glórias da vitória ao meu lado. Porque ele fez com o crucifixo na mão, mais do que eu com minha espada!”



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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Santa Liga e a Reconquista

Batalha de Parkany, Martino Altomonta (1657-1745), Lviv National Art Gallery, Ucrânia.
Batalha de Parkany, Martino Altomonta (1657-1745), Lviv National Art Gallery, Ucrânia.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Após a vitória católica em Viena, em 1683, prosseguiram as batalhas da Santa Liga contra o invasor muçulmano. Áustria, Polônia e Veneza uniram-se, sob as bênçãos do Papa, para reconquistar os territórios dominados pelos turcos.

Vimos em post anterior como se frustrou — graças à ação da Santa Liga convocada pelo Papa — a tentativa muçulmana de conquistar Viena. Confira: A vitória heroica e quase miraculosa quando tudo parecia perdido

Esta não havia sido a primeira investida dos turcos visando destruir a Cristandade.

Fazia-se então necessária uma reação católica à altura daquela ameaça, não só para barrá-los na Áustria, mas para reconquistar os reinos católicos que padeciam sob jugo otomano.

Essa reação ao ataque muçulmano era tanto do desejo do Papa quanto do rei polonês João Sobieski, que de boa vontade se teria precipitado sobre a importante cidade de Buda, onde Kara Mustafá, derrotado, reunira suas tropas fugitivas.

Em 17 de setembro de 1683, por sua própria iniciativa, o soberano polonês tomou o caminho da Hungria.

Batalhas de Parkany e Esztergom

Em 7 de outubro daquele ano começaram os combates pela reconquista da cidade de Parkany. Sobieski, embora desejoso de lutar e confiante na vitória, avançou demasiadamente o exército e caiu em uma cilada dos turcos.

Um cavaleiro inimigo já brandia um machado de combate sobre sua cabeça, quando um de seus nobres o salvou, recebendo em seu lugar o golpe mortal.

Dois mil de seus poloneses foram feridos e até seu filho viu-se em grande perigo. A chegada do exército austríaco salvou-os de serem aprisionados pelos maometanos.

Dois dias depois os cristãos obtiveram seu revide em Parkany. Foi renhida a batalha, sendo finalmente rechaçados os turcos. Como a única saída deles para a fuga era a ponte que liga Parkany a Esztergom, se dirigiram a ela.

Mas foi tal a confusão que se estabeleceu, atropelando-se uns aos outros, que a ponte desmoronou e muitos morreram afogados nas águas do Danúbio. As perdas dos muçulmanos pela espada dos cristãos e por afogamento foram calculadas em 15 mil homens.

Imediatamente estabeleceu-se o cerco a Esztergom, que jazia sob a tirania turca há 78 anos. A cidade santa dos húngaros, após breve defesa, se rendeu em 28 de outubro.

O Grão-vizir se retirou para Belgrado, terminando então a investida otomana daquele ano.

Chegando a Maomé IV a notícia da perda dessas duas cidades, ele atribuiu tais derrotas à indolência e avareza do chefe muçulmano Kara Mustafá, cuja decapitação confiou então ao Agá dos Janízaros, que a executou em 25 de dezembro de 1683.

O Beato Papa Inocêncio XI foi patrono da Santa Liga.
O Beato Papa Inocêncio XI foi patrono da Santa Liga.
A milícia dos janízaros foi a elite do exército otomano. Era constituída de meninos cristãos capturados em batalha, levados como escravos e pervertidos ao Islamismo. Agá era o título do comandante dessa tropa.

Veneza ingressa na Santa Liga

Em 1684, Veneza entrou na Santa Liga contra os turcos. A aliança foi concluída em 5 de março, graças ao empenho do Papa Beato Inocêncio XI.

Todos os príncipes da Cristandade foram convidados a entrar nessa Liga contra os turcos. Muitos creram então que havia chegado a hora de lançar a Europa contra o Islã.

Como patrono da Santa Liga foi designado o Papa, o qual a auxiliaria também com suas forças.

Assim, o teatro de batalha se estendeu. A Polônia atacaria a Turquia pelo norte, enquanto os austríacos avançariam pela região da Hungria.

Veneza entraria por terra na Dalmácia e lançaria sua frota de navios nos mares gregos, tentando a conquista do Peloponeso.

Investida polonesa

A atenção de toda Europa voltou-se para os acontecimentos da Santa Liga. Em vão procurou Luís XIV separar o rei polonês do Imperador austríaco Leopoldo, pois o rei João Sobieski considerava a luta contra o Islã o cerne de sua vida.

Em agosto, na região da atual Ucrânia, Sobieski conquistou a cidade de Jaslowiec e construiu uma fortaleza próxima a Kamieniec Podolski, a fim de ameaçar esse importante baluarte dos turcos.

A fortaleza recebeu o belo nome de “Trincheira da Santíssima Trindade”. Porém, nesse ano ele não obteve nenhuma vitória relevante.

Isto porque Solimão Paxá, que com 100 mil homens deveria proteger as fronteiras contra Sobieski, retirava-se constantemente, não travando batalha. Em vista disso, Sobieski regressou em novembro daquele ano à Polônia.

O rei da Polônia João Sobieski, no santuário de Czestohowa,
diante da padroeira do país
Em dezembro de 1684, os generais poloneses Kunicki e Potocki dispersaram os tártaros na região do Danúbio inferior. Na Moldávia, Potocki aprisionou o hospodar [título de Governador da Moldávia] Ducas, que havia tomado parte no cerco de Viena.

E também restabeleceu o hospodar Petriceicu. Nessa ocasião, os boiardos [membros da aristocracia] da Valáquia acorreram para prestar homenagem aos poloneses.

O Papa então abençoou Sobieski, enviando-lhe uma espada, e para a rainha, uma rosa de ouro.

Avanços na Hungria

As investidas na Hungria começaram somente em junho de 1684. Em poucos dias Carlos de Lorena conquistou as cidades de Visegrád e Waizen.

Os austríacos encaminharam-se logo em seguida para a cidade de Peste, que à sua chegada, foi incendiada pelos turcos e abandonada.

Em 14 de julho, justamente um ano desde o início do cerco de Viena, o Duque Carlos de Lorena iniciou o cerco da fortaleza de Buda.

Esta cidade era considera pelos muçulmanos ponto chave do Império Otomano. Para sua conservação faziam-se conclamações públicas em Constantinopla. Dez mil homens de tropas especiais a defendiam sob o comando de Ibrahim Scheitan.

Oito dias depois, Carlos de Lorena derrotou em Hamzsabég um exército turco que tentava impedir o cerco de Buda.

Nessa batalha foi aprisionado um turco também chamado Hamzsa-beg, que, enquanto dominador dessa cidade havia ali provocado impressionantes devastações.

Entre as atrocidades por ele praticadas conta-se o seguinte: um prisioneiro chamado Pedro Szapary, nobre húngaro, foi atrelado por ele a um arado, apesar de sua esposa ter oferecido 30 mil florins pelo seu resgate.

Agora, estando as situações invertidas, o mesmo Szapary disse a seu antigo carrasco estas palavras:

“Tu praticaste em mim muitas crueldades, e agora estás em meu poder; mas para que vejas como um cristão é melhor do que um turco, dou-te a liberdade”.

O turco, porém, já havia tomado veneno. Entretanto a magnanimidade do nobre húngaro de tal modo o comoveu, que em seguida ele abandonou o islamismo e se fez batizar, tendo falecido poucas horas depois.

Os sitiados de Buda ofereceram ferrenha resistência, enquanto os sitiadores empreendiam audaciosos assaltos.

No entanto, as enfermidades, as fortes chuvas e a guerra arrebataram em pouco tempo mais de 20 mil homens do exército cristão, e o próprio Carlos de Lorena caiu enfermo.

Encontro do rei polonês João Sobieski com o imperador Leopoldo I, perto de Schwchat, 1859. Lvivi Art Gallery, Ucrânia
Encontro do rei polonês João Sobieski com o imperador Leopoldo I,
perto de Schwchat, 1859. Lvivi Art Gallery, Ucrânia
O Imperador austríaco persistiu na continuidade do cerco durante mais de cem dias, mas em 29 de outubro se viu forçado a interrompê-lo, o que muito entristeceu o Papa.

A frota veneziana

Veneza começou a luta empregando todas as suas forças. Em 15 de julho de 1684 declarou formalmente guerra em Constantinopla, quando até então a iniciativa havia sido sempre dos otomanos.

Veneza solicitou da Alemanha e da Suécia hábeis generais, tendo nomeado o aguerrido Francisco Morosini, comandante do seu exército.

Morosini e sua tripulação desembarcaram em 20 de julho na ilha de Santa Maura. Em 8 de agosto conquistaram a fortaleza, como também seis ilhas situadas atrás de Santa Maura.

Pouco depois, na Grécia, era conquistada Prevesa. A Turquia empregou todos os meios para se defender pelo mar; até então ela não havia guerreado contra tantas potências ao mesmo tempo.

A conquista de Neuhäusel

Arquiduque Carlos de Lorena, entrada triunfal em Budapest. Museu das Belas Artes de Nancy
Arquiduque Carlos de Lorena, entrada triunfal em Budapest.
Museu das Belas Artes de Nancy
Durante o ano de 1685 realizaram-se muitos combates. Os otomanos reuniram em Belgrado 80 mil homens e 640 canhões. Em julho, o exército imperial se pôs em movimento.

Desta vez, diversas regiões do Império austríaco apoiaram seu imperador. Além dos austríacos, marcharam para a Hungria 40 mil soldados oriundos da Baviera, de Colônia, de Brunswick, da Francônia, do Alto Reno e da Suábia.

Com tão poderoso exército, Carlos de Lorena se lançou à reconquista de Neuhäusel [atualmente Nové Zámky, ou Castelo Novo]

Uma das mais importantes da época, a fortaleza de Neuhäusel era quase inexpugnável. O cerco estava bem estabelecido quando chegou a notícia de que os muçulmanos sitiaram Esztergom.

Como esta era uma cidade estratégica para a conquista de Buda, Carlos de Lorena partiu para salvá-la com 40 mil homens, deixando somente 16 mil em Neuhäusel.

Em 16 de agosto, na batalha que se travou diante de Esztergom, os otomanos foram rechaçados com grandes perdas. Três dias depois, Neuhäusel foi conquistada pelos cristãos que nela haviam permanecido.

Como prêmio pela conquista de Neuhäusel, os príncipes e os destacamentos da Suábia receberam a simbólica bandeira da fortaleza. De cinco metros e meio de comprimento por três e meio de largura, esse pendão era tão pesado que um homem sozinho não conseguia carregá-lo.

Na Alemanha, Polônia e Itália celebraram-se festividades pelas vitórias cristãs. Contudo, as três nações ainda aspiravam como ideal as conquistas de Buda, Kamieniec e do Peloponeso.

Era preciso que a Santa Liga prosseguisse sua indômita pugna contra o inimigo da Cristandade.


Continua no próximo post:


Nota:
Principal fonte consultada:Historia Universal, Juan Baptista Weiss, Editora Tipografia La Educación, Tradução da 5° edição alemã, Barcelona, 1930, Vol. XI, p. 903 a 916.



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