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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Coroação de Balduino I

Ao seu regresso, Balduino quis ser coroado rei e reconciliou-se com Daimbert. A cerimônia teve lugar em Belém, no dia do Natal do Salvador. O novo rei recebeu a unção e a coroa real das mãos do patriarca.

Não se opôs ao Rei Balduino o exemplo de Godofredo, que depois de sua eleição, não quis ser coroado. Uma triste experiência tinha feito nascer graves pensamentos; a realeza dos peregrinos, essa realeza do exílio, não era mais, aos olhos dos cristãos, uma glória, nem uma felicidade deste mundo, mas uma obra piedosa e santa, uma obra de resignação e de devotamente, uma missão cheia de perigos, de miséria e de sacrifícios.

Num reino cercado de inimigos, no meio de um povo lançado como por uma tempestade a um país estrangeiro, um rei não devia usar uma coroa de ouro, como os outros reis da terra, mas uma coroa em tudo semelhante à de Jesus Cristo.

O primeiro cuidado de Balduino depois da coroação foi administrar a justiça aos seus súditos e pôr em vigor as leis de Jerusalém. Tinha sua corte e seu conselho, no meio de todos os grandes, no palácio de Salomão.

Todos os dias, durante quase duas semanas, viram-no sentado no trono, escutando as queixas que lhe eram feitas e pronunciando sobre todas as questões de seus vassalos, a sua sentença. Uma das primeiras causas que ele teve de julgar foi uma questão entre Tancredo e Guilherme, o Carpinteiro, visconde de Melun.

Godofredo, antes de morrer, tinha dado a Guilherme a cidade de Caifás; Tancredo obstinava-se em conservar uma cidade conquistada com suas armas; Balduino, ante o aviso de seus conselheiros, mandou intimar Tancredo a comparecer ao seu tribunal.

Este, que não tinha esquecido as injúrias de Farso e de Malmistra, respondeu que não reconhecia Balduino como rei da cidade santa, nem como juiz da cidade e do reino de Jerusalém.

Uma segunda intimação foi mandada; à qual ele não deu resposta; por fim, numa terceira mensagem, Balduino convidava seu antigo irmão de armas a não declinar sua justiça a fim de que uma realeza cristã não fosse exposta à zombaria dos infiéis.

Essa última intimação parecia mais uma petição. Tancredo deixou-se vencer, mas não quis ir à Jerusalém, cujas portas há pouco lhe haviam sido fechadas; propôs a Balduino uma conferencia às margens do Ledar, entre Jaffa e Arsur.

Por espírito de conciliação o rei de Jerusalém consentiu em se dirigir ao lugar indicado. A princípio os dois soberanos não se entenderam; tiveram uma segunda entrevista em Caifás; homens sábios e piedosos intervieram para restabelecer a paz.

Por fim, a lembrança de Godofredo, cuja última vontade se invocava, esse nome tão caro a Balduino e a Tancredo, chegou a aproximá-los.

Durante essas negociações Tancredo tinha sido chamado a governar o principado de Antioquia, na ausência de Boemundo, e não somente ele renunciou às suas pretensões sobre a cidade de Caifás, que foi entregue a Guilherme, o Carpinteiro, mas entregou a Balduino o principado de Tiberíades, que se tornou herança de Hugo de Saint-Omer.

Todos os cuidados que o rei Balduino tomava para restabelecer a paz e manter a execução das leis no seu reino, não o impediam de fazer frequentes incursões às terras dos muçulmanos.

Numa dessas expedições além do Jordão, surpreendeu diversas tribos árabes. Quando regressava carregado com seus despojos teve ocasião de praticar a mais nobre virtude da cavalaria.

Não longe do rio, gritos aflitos vieram ferir seus ouvidos; ele aproxima-se e vê uma mulher muçulmana, nas dores do parto, cobre-a com seu manto, manda coloca-la sobre tapetes estendidos por terra.

Por sua ordem, frutos e dois odres cheios de água são trazidos perto daquele leito de dor. Mandou buscar a fémea de um camelo para amamentar a criança que acabava de nascer e depois a mãe foi confiada aos cuidados de uma escrava, encarregada de reconduzi-la ao seu esposo.

Este ocupava uma posição elevada entre os muçulmanos; ele derramou lágrimas de alegria, revendo uma esposa cuja morte ou desonra já chorava e jurou jamais esquecer a ação generosa de Balduino.

De volta à capital, Balduino soube que uma frota genovesa tinha chegado ao porto de Jaffa. Foi ter com os peregrinos de Genova, pedindo-lhes que o ajudassem nalguma empresa gloriosa contra os inimigos da fé; prometia dar-lhes um terço dos despojos e ceder-lhes em cada cidade conquistada uma rua que seria chamada a rua dos genoveses.

Foi concluído o tratado e os genoveses dirigiram-se a Jerusalém para celebrar as festas da Páscoa e renovar, no túmulo do Salvador, o juramento que tinham feito de combater os infiéis.

Chegaram no sábado santo. Era o dia em que o fogo sagrado devia descer ao divino Sepulcro. À sua chegada, a cidade de Jerusalém estava em grande consternação, pois o fogo celeste não linha aparecido.

Os fiéis ficaram reunidos todo o dia, na igreja da ressurreição. O clero latino e o clero grego tinham entoado várias vezes o Kyrie eléison; várias vezes o patriarca se tinha posto em oração no Santo Sepulcro, sem que a chama, tão vivamente esperada, descesse a alguma das lâmpadas destinadas a recebê-la.

No dia seguinte, dia de Páscoa, o povo e os peregrinos voltaram à santa basílica, repetiram-se as mesmas cerimônias da véspera e o fogo sagrado não apareceu, nem no Santo Sepulcro, nem no Calvário, nem em algum outro lugar da Igreja.

Então, como por uma inspiração, o clero latino, quase todo o povo, o rei e os senhores, foram processionalmente, descalços ao templo de Salomão.

Durante esse tempo, os gregos e os sírios que tinham ficado na Igreja do Santo Sepulcro, feriam o rosto, rasgavam as vestes, imploravam a divina misericórdia com gritos lancinantes.

Finalmente, Deus teve pena de seu desespero; à volta da procissão, o fogo sagrado havia descido; todos então derramaram lágrimas, cantaram o Kyrie eléison; cada qual acendeu sua vela na chama divina, que corre de fila em fila e se espalha por toda a parte; as trombetas soam, o povo bate palmas, uma melodiosa música se faz ouvir, o clero entoa os salmos, toda a cidade santa exulta de alegria.

(Autor: Joseph-François Michaud, “História das Cruzadas”, vol. II, Editora das Américas, São Paulo, 1956. Tradução brasileira do Pe. Vicente Pedroso, páginas 90 ss).



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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Primeiros feitos de Balduino I

Balduino I na batalha de Jaffa, ano 1102. Henri Auguste Calixte César Serrur (1794-1865), Musée de Versailles
Balduino I na batalha de Jaffa, ano 1102.
Henri Auguste César Serrur (1794-1865), Museu de Versailles
Balduino estava impaciente por fazer brilhar seu reinado com algum empreendimento glorioso. Ficou uma semana em Jerusalém, para tomar posse do governo; em seguida reuniu os cavaleiros e essa tropa de elite for procurar inimigos para combater ou terras para conquistar.

Dirigiram-se por primeiro a Ascalon; mas a praça parecia disposta a se defender fortemente e os cristãos não puderam sitiá-la. Balduino rumou então para as montanhas da Judéia.

Os habitantes dessa região tinham muitas vezes maltratado e despojado os peregrinos de Jerusalém e temendo a presença dos guerreiros cristãos, se haviam todos escondido nas cavernas.

Para obriga-los a sair de seus refúgios, empregaram a astúcia. Vários chefes, aos quais prometidos foram muitos tesouros, vieram apresentar-se a Balduino, que os mandou decapitar.

Depois acenderam à entrada dos subterrâneos grandes fogueiras com ervas secas e logo uma multidão deles impelida pela fumaça e pelo fogo, veio implorar misericórdia dos soldados da cruz.

Balduino e seus companheiros prosseguiram seu caminho para o país de Hebron, desceram ao vale onde estavam outrora Sodoma e Gomorra, e que as águas salgadas do lago Asfalite recobrem agora.

Foulcher, que acompanhava essa expedição, descreve longamente o Mar Morto e seus fenômenos.

“A água é de tal modo salgada, diz-nos ele, que nem quadrúpedes, nem pássaros dela podem beber; eu mesmo, acrescenta o capelão de Balduino, a experimentei; descendo de minha cavalgadura à beira do lago, provei a água que achei amarga como heléboro.”

Balduino I, rei de Jerusalém. Vitral na abadia de Saint Denis, Paris
Balduino I, rei de Jerusalém. Vitral na abadia de Saint Denis, Paris
Seguindo a costa meridional do Mar Morto, os guerreiros cristãos chegaram a uma cidade que as crônicas chamam de Suzume ou Ségor.

Todos os habitantes tinham fugido, exceto alguns homens negros como fuligem, que não nos dignamos nem mesmo interrogar, e que os guerreiros francos desprezaram como a erva mais vil do mar.

Além de Ségor, começa a parte montanhosa da Arábia. Balduino com seu séquito passou várias montanhas cujos cimos estavam cobertos de neve; sua tropa muitas vezes não teve outro abrigo que as cavernas de que o país está cheio; não tinha outro alimento que tâmaras e a carne de animais selvagens; por bebida a água pura das fontes e das nascentes.

Os soldados da cruz visitaram com respeito o mosteiro de Santo Aarão, construído no mesmo lugar onde Moisés e Aarão se tinham entretido com Deus.

Ficaram três dias num vale coberto de palmeiras e fértil em todas as espécies de frutos. Era o vale onde Moisés havia feito brotar uma fonte do flanco de uma rocha árida.

Foulcher nos diz que essa fonte milagrosa fazia então girar vários moinhos e que ele mesmo lá fez beberem seus cavalos. Balduino levou sua tropa até o deserto, que separa a Iduméia da terra do Egito e retomou o caminho da capital, passando pelas montanhas, onde foram sepultados os antepassados de Israel.

(Autor: Joseph-François Michaud, “História das Cruzadas”, vol. II, Editora das Américas, São Paulo, 1956. Tradução brasileira do Pe. Vicente Pedroso, páginas 90 ss).


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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Balduino I eleito rei de Jerusalém

Balduíno I,  rei de Jerusalém.
Balduíno I,  rei de Jerusalém.
Luis Dufaur


No ano de 1100, foi ao regresso da expedição [contra o emir Danisman], que ele recebeu os enviados de Jerusalém.

Estes, depois de lhe terem comunicado a morte de Godofredo, disseram-lhe que o povo cristão, o clero e os cavaleiros da cruz o tinham escolhido para reinar na cidade santa.

Balduino chorou ante a notícia da morte de seu irmão, mas consolou-se logo, ao pensamento de substitui-lo.

Cedeu o condado de Edessa ao primo Balduino de Bourg e sem perda de tempo, tomou o caminho de Jerusalém. Setecentos homens de armas, de infantaria, formavam seu pequeno exército.

A maior parte dos países que ele ia atravessar era ocupada por muçulmanos. Os emites de Damasco e de Emesa, avisados pelas notícias e talvez também por delatores, vieram esperá-los nas passagens difíceis que margeiam o mar da Fenícia.

Foulcher de Chartres, que acompanhava Balduino, descreve com singela simplicidade a situação perigosa dos cristãos nos desfiladeiros de Beirute, na embocadura do Lico; precisavam atravessar um vale estreito e profundo, dominado ao norte e ao sul por massas de rochedos; toda a praia estava coberta de muçulmanos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A morte do herói que conquistou Jerusalém

Morte de Godofredo de Bouillon. Museu de Versailles, Salle des croisades.
Morte de Godofredo de Bouillon. Museu de Versailles, Salle des croisades.
Godofredo foi várias vezes em auxílio de Tancredo, que estava em guerra com os emires da Galileia.

O rei de Jerusalém levou suas armas vitoriosas além do Líbano, até os muros de Damasco; ele fez ao mesmo tempo várias outras incursões na Arábia, de onde voltava sempre com um grande número de escravos, cavalos e camelos.

Sua fama estendia-se cada vez mais: comparavam-no a Judas Macabeu pelo valor, a Sansão pela força de seu braço e a Salomão pela sabedoria de seus conselhos.

Os francos que haviam ficado com ele abençoavam seu reinado e sob sua dominação paterna, eles esqueciam até sua antiga pátria; os sírios, os gregos, os muçulmanos mesmo, estavam persuadidos de que com tão bom príncipe o poder cristão, no Oriente, não podia deixar de se firmar.

Mas Deus não permitiu que Godofredo vivesse bastante para terminar o que tinha tão gloriosamente começado.

No mês de junho de 1100, ele voltava de uma expedição além do Jordão; seguia a orla marítima e se dirigia a Jaffa, quando caiu doente.

O emir de Cesareia veio ao seu encontro e apresentou-lhe frutos da estação; Godofredo só pôde aceitar uma maçã de cedro. Chegando a Jaffa não tinha mais força para ficar a cavalo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

São Tomás de Aquino: no islamismo acreditaram homens animalizados, totalmente ignorantes da doutrina divina, que obrigaram aos outros pela violência das armas

São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristotes, esmaga Averroes, 'sábio' maometano
São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristoteles,
esmaga Averroes, 'sábio' maometano
Luis Dufaur



O que achar do islamismo e de seus prosélitos? Como interpretar os crimes que estão praticando contra os cristãos, sua adesão ao Corão (Livro) de Maomé, e as tentativas de diálogo e ecumenismo com eles?

São Tomás nos ensina com a concisão e a sabedoria do maior mestre e Doutor da doutrina e do método de pensamento da Igreja Católica:
“Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

“Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos.

“Mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar milagres para confirmação da fé.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Godofredo de Bouillon não quis usar coroa
onde Jesus foi coroado de espinhos

O tempo de opor um governo regular a todas as desordens tinha chegado. Godofredo escolheu o momento em que os príncipes latinos estavam reunidos em Jerusalém.

Homens sábios e piedosos foram convocados ao palácio de Salomão e encarregados de redigir um código das leis para o novo reino.

As condições impostas para a posse da terra, os serviços militares dos feudos, as obrigações recíprocas do rei e dos senhores, dos grandes e dos pequenos vassalos, tudo isso foi estabelecido e regulado segundo os costumes dos francos.

Mas, principalmente os súditos de Godofredo, pediam juízes, para resolver as questões e proteger os direitos de cada qual.

Foram instituídas duas cortes de justiça: uma, presidida pelo rei, e composta pela nobreza, devia pronunciar-se sobre as questões dos grandes vassalos: a outra, presidida pelo visconde de Jerusalém, e formada pelos principais habitantes de cada cidade, devia regrar os interesses e os direitos da burguesia ou das comunas.

Instituíram uma terceira corte, reservada aos cristãos orientais; os juízes eram nascidos na Síria, falavam-lhes a língua e pronunciavam as sentenças de acordo com as leis e os costumes do país.

As leis que se davam à cidade de Davi foram sem dúvida um espetáculo novo para a Ásia.

Tornaram-se bem depressa motivo de instrução mesmo para a Europa, que se admirou por encontrar, além dos mares suas próprias instituições modificadas pelos costumes do Oriente e pelo espírito da guerra santa.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Bento XIV: “muçulmanos, os piores entre os celerados”

S.S. Bento XIV.
Pierre Hubert Subleyras (1699-1749) Palácio de Versailles
Carta do Papa Bento XIV de louvor  à Ordem Militar Hospitalar de São João de Jerusalém, conhecida também como Ordem de Malta, por sua heroica defesa da Cristandade ameaçada pelas forças muçulmanas


“A Ordem Hierosolimitana tem um lugar de escol entre as Ordens militares que, com satisfação Nossa, sustentam a Religião Católica e a defendem corajosamente contra seus inimigos.

Para glória de Cristo, esta Ordem move o mais duro combate contra os muçulmanos, os piores entre os celerados.

Brasão da Ordem de Malta
Com todas as suas forças, ela protege sem descanso as fronteiras da Cristandade contra as incursões deles.

“Para nela ser admitido como soldado, é preciso fazer prova de nobreza; mas também, a fim de poder combater mais facilmente e ser mais livre e mais apto para os trabalhos que se preveem, é necessário renunciar às facilidades da vida doméstica e fazer voto de castidade.

“Eis por que Nós, elevado pela graça de Deus à Sé suprema de São Pedro, desejando dar um testemunho da benevolência pontifícia a esta Ordem ilustre, que tanto mereceu já da Igreja e da Santa Sé, decidimos conceder-lhe importantes privilégios e socorrê-la em suas necessidades atuais”.

(Autor: S.S. Bento XIV (1675 – 1758, Papa desde 17.08.1740), Carta Quoniam Inter de 17 de dezembro de 1743).



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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Godofredo de Bouillon, fundador do Reino Latino de Jerusalém

Godofredo de Bouillon. Fundo: Puerta de Damasco em Jerusalém.
Godofredo de Bouillon. Fundo: Porta de Damasco em Jerusalém.

Quando Godofredo voltou a Jerusalém, soube que Balduino, conde de Edessa e Boemundo, príncipe de Antioquia, estavam em viagem para visitar os santos lugares.

Lembremo-nos de que esses dois chefes da primeira cruzada não tinham seguido seus irmãos de armas para a conquista da cidade santa.

Eles vinham a Jerusalém acompanhados de um grande número de cavaleiros e de soldados da cruz, que haviam ficado como eles para a defesa do país conquistado e se mostravam impacientes por terminar a peregrinação.

A esses ilustres guerreiros uniu-se uma multidão de cristãos, vindos da Itália e de várias regiões do Ocidente. Essa piedosa caravana que contava vinte e cinco mil peregrinos, muito teve que sofrer nas costas da Fenícia.

Mas quando viram Jerusalém, diz Foulcher de Chartres, que acompanhava Balduino, conde de Edessa, todas as misérias que tinham sofrido foram esquecidas.

A história contemporânea diz que Godofredo “muito contente por receber seu irmão Balduino, homenageou magnificamente os príncipes durante lodo o inverno”.

Daimbert, arcebispo de Pisa, tinha chegado com Balduino, conde de Edessa e Boemundo, príncipe de Antioquia; à força de presentes e de promessas, fez-se nomear patriarca de Jerusalém, no lugar de Arnould de Rohes.

Esse prelado, educado à escola de Gregório VII, sustentava com ardor as pretensões da Santa Sé.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Fama e virtudes de Godofredo de Bouillon

Godofredo de Bouillon recebe os emires em sua tenda. Gustave Doré (1832 — 1883)
Godofredo de Bouillon recebe os emires em sua tenda.
Gustave Doré (1832 — 1883)

Durante o mesmo cerco [de Arsur], vários emires vieram das montanhas de Naplusa e da Samaria, cumprimentar Godofredo e oferecer-lhe presentes, como figos e uvas, secos ao sol.

O rei de Jerusalém estava sentado por terra, sobre um saco de palha, sem aparato, nem guardas.

Os emires demonstraram sua surpresa e perguntaram como um tão grande príncipe, cujas armas tinham abalado o Oriente estava humildemente por terra, não tendo nem mesmo um travesseiro de seda, nem um tapete de damasco.

“A terra de onde temos nossa origem e que deve ser nossa última morada, depois da morte, respondeu Godofredo, nos não poderá servir de trono durante a vida?”

Esta resposta que parecia ter sido ditada pelo mesmo gênio dos orientais, não pôde deixar de impressionar vivamente os emires.

Cheios de admiração por tudo o que tinham visto e ouvido, deixaram Godofredo desejando sua amizade; em Samaria muito se admiraram de que ele mostrasse tanta simplicidade e sabedoria, entre os homens do Ocidente.

Ao mesmo tempo, narrava-se muitas maravilhas, sobre a força de Godofredo: haviam-no visto, com um só golpe de espada, cortar a cabeça de um dos maiores camelos.

Um emir poderoso, entre os árabes, quis julgar o fato, ele mesmo e veio pedir ao príncipe cristão, que renovasse na sua presença, o prodígio.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Estado da Terra Santa após a conquista de Jerusalém

Godofredo de Bouillon é escolhido para rei de Jerusalém. Federico de Madrazo y Kuntz (1815 – 1894), 1838.
Godofredo de Bouillon é escolhido para rei de Jerusalém.
Federico de Madrazo y Kuntz (1815 – 1894), 1838.
No estado em que se achava a Judéia, se seu território tivesse sido submetido inteiro às leis de Godofredo, o novo rei teria podido rivalizar em poder com a maior parte dos príncipes muçulmanos da Ásia.

Mas o reino nascente de Jerusalém era formado somente pela capital e por uma vintena de cidades ou aldeias da vizinhança.

Várias daquelas cidades estavam separadas umas das outras pelas praças que os infiéis ainda ocupavam. Uma fortaleza em poder dos cristãos estava perto de uma fortaleza onde se balouçavam os estandartes de Maomé.

Nos campos habitavam os turcos bem como árabes e egípcios, que se reuniam para fazer guerra aos súditos de Godofredo.

Estes eram ameaçados, até mesmo nas cidades, quase sempre mal defendidas e estavam sempre expostos a todas as violências da guerra.

As terras continuavam incultas, todas as comunicações estavam interrompidas.

No meio de tantos perigos, muitos latinos abandonavam as propriedades que a vitória lhes havia dado, e para que o país conquistado não ficasse sem habitantes, principalmente no momento do perigo, foram obrigados a fortalecer o amor da nova pátria com o interesse da propriedade.

Todos os que tinham morado um ano e um dia numa mesma casa e numa terra cultivada, deviam ser reconhecidos como seus legítimos possuidores; todos os direitos de posse ficavam aniquilados por uma ausência da mesma duração.

O primeiro cuidado de Godofredo foi reprimir as hostilidades dos muçulmanos e de aumentar a extensão do reino, cuja defesa lhe havia sido confiada.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Florescimento da cultura, das artes e do Direito; correção dos costumes
Benefícios das Cruzadas – 3

Suavização das relações sociais. Der Burggraf von Regensburg, Codex Manesse
Suavização das relações sociais.
Der Burggraf von Regensburg, Codex Manesse



Continuação do post anterior


Antes da primeira cruzada, a ciência da legislação, que é a primeira e a mais importante de todas, tinha feito pequeno progresso.

Algumas cidades da Itália e as províncias próximas dos Pireneus, onde os godos tinham feito florescer as leis romanas, viam, sozinhos, renascer alguns vislumbres de suas civilizações.

Entre os decretos e as determinações que Gastão de Béarn tinha reunido, antes de partir para a cruzada, encontramos disposições que merecem ser conservadas pela história, porque nos apresentam os frágeis começos de uma legislação, que o tempo e felizes circunstâncias deviam aperfeiçoar.
“A paz, diz esse legislador, do século XI, será mantida em todos os tempos pelos clérigos, monges viajantes, senhoras e por seus sucessores.

“– Se alguém se refugiar junto de uma senhora, terá segurança, à sua pessoa, pagando a multa.

“– Que a paz esteja com o rústico; que seus bois e seus instrumentos de lavoura não possam ser arrebatados”.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Salvação da civilização e aproximação do Ocidente e do Oriente
Benefícios das Cruzadas – 2

Sítio de Jerusalém. Biblioteca Nacional da França, Français 10, fol 412v.
Sítio de Jerusalém. Biblioteca Nacional da França, Français 10, fol 412v.

Continuação do post anterior


Nós dissemos várias vezes e tivemos ocasião de notar como frequentemente os homens que passam à posteridade por terem dominado seu século, são os que por primeiro, se deixaram dominar, eles mesmos, e dele se mostraram seus mais apaixonados intérpretes.

Um dos resultados dessa cruzada foi levar o espanto e o terror para o seio das nações muçulmanas e colocá-las, por muito tempo na impossibilidade de tentar algum empreendimento contra o Ocidente.

Graças às vitórias dos cruzados, o império grego recuou seus limites e Constantinopla, que era o caminho do Ocidente para os muçulmanos, ficou a salvo de seu ataque.

Nessa expedição longínqua, a Europa perdeu a fina flor de sua população; mas não foi como a Ásia, o teatro de uma guerra sangrenta e desastrosa, de uma guerra na qual nada era respeitado, onde as cidades e as províncias eram ora devastadas pelos vencedores ora pelos vencidos.

Enquanto os guerreiros vindos da Europa derramavam seu sangue nos países do Oriente, o Ocidente vivia em profunda paz.

Entre os povos cristãos, considerava-se então um crime, usar armas por outro motivo, que não por Jesus Cristo.

Essa opinião contribuiu muito para acabar com o banditismo e para fazer respeitar a trégua de Deus, que foi, na Idade Média, o germe ou o sinal de melhores instituições.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Salutares benefícios das Cruzadas para a paz e para a ordem
Benefícios das Cruzadas – 1

Cruzados na tomada de Jerusalem.
Cruzados na tomada de Jerusalem.
Reproduziremos a continuação alguns excertos da renomeada “História das Cruzadas” de Joseph-François Michaud (1767—1839). Ele foi membro da Academia Francesa de
Túmulo de J.F. Michaud
Cemitério de Passy, Paris
Letras e da Academia da Saboia, jornalista e político de intensa vida, e autor de obras célebres, como a história das Cruzadas que citamos:

Detenhamo-nos uns instantes ante o espetáculo que se acaba de realizar e que tivemos sob nossas vistas, no qual vemos duas religiões disputar o mundo com as armas na mão; voltemos atrás nossos olhos e vejamos o que aquela grande revolução das guerras santas produziu para as gerações contemporâneas e o que ela devia deixar depois de si, para os povos do Ocidente.

Muitas vezes repetimos, falando desta primeira guerra santa, onde o Oriente viu um exército de seiscentos mil cruzados, que Alexandre, tinha conquistado a Ásia com trinta mil homens.

Sem repetirmos o que já foi dito, limitar-nos-emos a fazer observar que os gregos de Alexandre, em sua invasão do Oriente, só tinham que combater contra os persas, nação efeminada e que a Grécia desprezava, enquanto que os cruzados tiveram que combater contra uma multidão de povos desconhecidos e que, chegando à Ásia tiveram que se haver com várias nações de conquistadores.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

São Bernardo recomenda os cavaleiros templários ao Patriarca de Jerusalém

Crak dos Cavaleiros, fortaleza cruzada na Síria
Crak dos Cavaleiros, fortaleza cruzada na Síria
O Patriarca de Jerusalém havia escrito várias cartas a São Bernardo cheias de manifestações de amizade. O santo lhe responde em 1135 e recomenda-lhe os cavaleiros do Templo:

Após ter recebido tantas cartas de Vossa Grandeza patriarcal, eu passaria como um ingrato se não vos respondesse. Mas devolvendo-vos os cumprimentos que me tendes enviado, terei eu feito tudo o que devo?

Vós me tendes alertado por meio de vossas amáveis iniciativas, tendes vos dignado a tomar a iniciativa de me escrever para além dos mares, dando-me assim a prova tanto de vossa humildade quanto de vossa amizade.

Como poderia eu responder-vos à mesma altura?

Eu não sei absolutamente o que fazer para vos retribuir convenientemente, sobretudo agora, quando concedeis uma parte do maior tesouro do mundo enviando-me um fragmento da verdadeira Cruz de Nosso Senhor.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Estímulos de São Bernardo a seu tio André, cavaleiro do Templo

Estímulos de São Bernardo a seu tio André, cavaleiro do Templo
Estímulos de São Bernardo a seu tio André, cavaleiro do Templo
São Bernardo deplora o lamentável resultado da II Cruzada e manifesta a seu tio o desejo de vê-lo.

l. Eu estava no leito pela doença, quando recebi vossa última carta. E não saberia vos dizer com quanta pressa eu a recebi, com quanta felicidade a li e reli; mas quão mais feliz eu teria sido se voltasse a vos ver.

Sim, a vós! Vós me testemunhais o mesmo desejo, expondo-me os temores que vos inspiram o estado do país que o Senhor honrou com sua presença, assim como os perigos que ameaçam a cidade regada com seu sangue.

Oh! Desgraça para os nossos príncipes cristãos! Eles nada de bom fizeram na Terra Santa, apressando-se a voltar a seus países apenas para se entregarem a toda espécie de desordens insensíveis à opressão de José.

Impotentes para o bem, infelizmente eles são poderosos demais para o mal.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O sítio de Famagusta e o capitão Bragadino

Mapa da cidade de Famagusta em 1568
Mapa da cidade de Famagusta em 1568

Em meados de 1570, Famagusta, na ilha de Chipre, foi sitiada pelos turcos (mapa ao lado). Em setembro desse ano, tropas venezianas entraram na cidade para auxiliar na defesa.

Sabiam que poderiam resistir algum tempo, mas confiavam nos reforços dos cristãos, que nunca chegaram.

A queda de Famagusta é uma página épica, destacando-se entre todos a figura do capitão chefe Marco Antônio Bragadino.

Este sítio foi relatado pelo único oficial milagrosamente sobrevivente ao massacre: Nestor Martinego.

Na cidade todos lutaram, e em todos os campos: elevando fortificações, atirando com armas de fogo ou outras improvisadas, cavando trincheiras.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

São Bernardo exorta Manuel Comneno, Imperador de Constantinopla a apoiar a Cruzada

São Bernardo de Claraval
São Bernardo de Claraval
Ao grande e glorioso Manuel, Imperador de Constantinopla, o irmão Bernardo, abade de Claraval, saudação e orações.

1. Se eu me permito escrever a uma Majestade como a vossa, não me acuseis nem de temeridade nem de audácia. Agindo assim eu só cedo diante de uma inspiração da Caridade que não duvida de nada.

Pois, da minha parte, quem sou eu e que posição ocupa minha família em meu país para que eu ouse escrever a um tão grande imperador?

Eu sou pobre e obscuro, distâncias imensas e vastos mares me separam de vossa sublime pessoa. O que há, pois, que possa aproximar minha inferioridade de vossa grandeza, se eu não contasse para isso com a própria humildade de Jesus Cristo, de quem os reis e os povos da terra, os príncipes e os juízes se glorificam?

O renome trouxe até nós o eco de vossa magnificência e a glória de vosso nome que hoje enchem a terra inteira.