segunda-feira, 20 de abril de 2015

Recomeçam as Cruzadas?



Nos últimos dois anos, cristãos idealistas do Ocidente têm-se alistado voluntariamente nas milícias cristãs que combatem contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Eles mencionam a frustração que lhes causam os governos ocidentais, que nada fazem de eficaz para combater os islamitas ultra-radicais ou prevenir o sofrimento de inocentes cruelmente massacrados.

A crítica bem pode estar se estendendo aos líderes eclesiásticos que, embora falando em nome de Cristo, pregam um ecumenismo e um diálogo imprudente, a ponto de dizer que não se deve combater os bandos islâmicos.

Multiplica-se o número de novos livros produzidos por importantes professores universitários nos EUA, desfazendo as falsas acusações contra as Cruzadas. Eles restabelecem sisuda e devidamente, no lugar de honra que lhes é próprio, essas grandes iniciativas da Igreja e da Cristandade.

A agência Reuters entrevistou um veterano do exército norte-americano que regressou recentemente ao Iraque, para se juntar à milícia cristã que luta contra o Estado Islâmico.

Cônscio de que está em curso uma espécie de guerra bíblica entre o bem e o mal, ele tatuou em suas costas a imagem de São Miguel arcanjo, que em tremenda batalha lançou Satanás e seus sequazes revoltados no inferno.

Brett, 28, leva sempre a mesma Bíblia de bolso, desgastada pelos anos de combate, uma imagem de Nossa Senhora, o Terço e uma seleção dos versículos preferidos das Sagradas Escrituras.

Ele explicou que “é muito diferente” combater como um soldado profissional, como o fez a primeira vez que foi ao Iraque, e combater por amor à Igreja e à Cristandade.

“Aqui estou lutando por um povo e por uma fé, e o inimigo é muito maior e mais brutal”, sublinhou Brett, que é católico e reza o Terço.


Ele entrou na milícia “Dwekh Nawsha”, que em aramaico – idioma usado por Nosso Senhor Jesus Cristo e falado ainda hoje por cristãos assírios –significa auto-sacrifício.

Católicos na sua maioria, os cristãos assírios são originários do Iraque e vêm sendo expulsos pela violência do invasor muçulmano.

A maioria das cidades cristãs ao norte do Iraque, especialmente ao redor da cidade de Mosul, foi ocupada pelas armas islâmicas, que praticaram crimes com requintes de crueldade.

Por isso, lá soa inteiramente falso dizer que os cristãos ou as Cruzadas agrediram o Islã, quando este é o verdadeiro agressor injusto, e justa é a reação cristã feita contra ele ao longo dos tempos.

Agindo segundo ordena o “pacífico” Corão, o Estado Islâmico conquistou a região no verão passado e lançou um ultimato aos cristãos: “Paguem impostos, convertam-se ao Islã, ou morram pela espada”.


A maioria deixou o país e vive na miséria. Muitos foram martirizados e confiamos que estejam no Céu.

Brett e outros voluntários estrangeiros não revelam seu sobrenome para evitar represálias contra suas famílias.

Tim largou sua empresa de construção na Grã-Bretanha, vendeu sua casa e comprou duas passagens de avião para o Iraque. Uma foi para ele e outra para um americano engenheiro de software que conheceu pela Internet.

Entraram por Dubai e seguiram para a cidade curda de Suleimaniyah. Depois pegaram um taxi até Duhok, segundo o Daily Mail de Londres.

“Eu sou um homem comum na Inglaterra, mas aqui eu quero fazer a diferença e cortar o passo a algumas atrocidades” disse Tim, 38.

Os ocidentais de momento se integram em milícias cristãs locais, como a curda da foto.
Os ocidentais de momento se integram em milícias cristãs locais, como a curda da foto.
Scott serviu no Exército norte-americano e depois se dedicou aos computadores na Carolina do Norte. Mas ficou indignado com as imagens dos militantes do Califado massacrando a minoria yazidi, bem como com as batalhas em torno de Kobani, onde curdos insuficientemente armados resistiam a muçulmanos super-equipados.

Scott, Tim, Brett foram para ficar no Iraque até o fim.

“Todos nós algum dia morreremos”, mas “um dos versículos da Bíblia que está entre meus favoritos, diz: ‘Conserva a fé até a morte, e eu te darei a coroa da vida eterna’”, explicou Brett.

A pesquisadora Myriam Benraad quis saber mais sobre esses ocidentais que tomaram a decisão de ir combater os islâmicos no Oriente Médio.

Myriam trabalha para o Instituto francês de Pesquisas e Estudos sobre o Mundo Árabe e Muçulmano (IREMAM) e para a Fundação para a Pesquisa Estratégica (FRS).

A motivação principal, disse ela para o site Atlantico.fr, foi ver a barbárie dos fundamentalistas e seus incontáveis crimes contra civis: execução de prisioneiros ocidentais ou não.

Na Europa e no Ocidente as atrocidades muçulmanas fizeram com que muitos decidissem reagir e alistar-se nas milícias que lutam contra o Estado Islâmico.

Mas entre eles há os que combatem por motivação religiosa: preservar a civilização cristã e seus valores diante de um Estado Islâmico que se revela como o pior dos adversários de Cristo.

Os fanáticos islâmicos têm uma visão milenarista e apocalíptica do combate e alegam que desejam vingar as humilhações sofridas na época das Cruzadas.

Mas eis que, no fundo do quadro do combate no Iraque e na Síria, projetam-se, de um lado as sombras de Godofredo de Bouillon, de Balduíno IV ou de Ricardo Coração de Leão, e de outro, as de Saladino ou de Nuredin.

Os ocidentais não dão seus nomes para que suas famílias não sejam alvos de represálias.
Os ocidentais não dão seus nomes para que suas famílias não sejam alvos de represálias.
Há um “choque de civilizações”, diz a especialista. Porém, na realidade, trata-se mais de um choque de religiões, do bem contra o mal, quaisquer que sejam os argumentos dos líderes religiosos que tentam tapar o sol com a peneira.

O fenômeno dos combatentes cristãos ou católicos é por ora limitado, mas Myriam não garante qual será o futuro.

Segundo a pesquisadora, o combate entre “mujahidins” e “cruzados” pode ser o início de grandes guerras de religião até no Ocidente.

De momento, os ocidentais cristãos são principalmente americanos e britânicos. Mas o primeiro a morrer foi australiano e já se sabe que há franceses.

No Facebook e no Twitter, sua epopeia empolga a não poucos. O britânico Tim Lock anunciou que não voltaria a seu país enquanto o Estado Islâmico não for erradicado da superfície da Terra.

Para Myriam, os aspirantes à nova cruzada tiram seu orgulho e sua fereza da ideia de estarem lutando contra um Estado Islâmico que pretende erguer-se no horizonte da História como uma encarnação do mal absoluto, que aliás não pode existir.

Mas o Bem absoluto existe. É Deus, Nosso Senhor e Divino Redentor, por quem os cruzados deram suas vidas.





GLÓRIA CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 2

Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos
Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena
usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos


Continuação do post anterior: Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas não resistem à crítica histórica – 1




Segundo mito: “os cristãos ocidentais foram às cruzadas porque sua avareza os motivou a saquear os muçulmanos para ficarem ricos”

“Novamente –explica– não é verdade”.

Alguns historiadores como Fred Cazel explicam que “poucos cruzados tinham suficiente dinheiro para pagar suas obrigações em casa e manter-se decentemente nas cruzadas”.

Desde o começo mesmo, recorda o Dr. Paul F. Crawford, “as considerações financeiras foram importantes no planejamento da cruzada. Os primeiros cruzados venderam muitas de suas posses para financiar suas expedições que geraram uma estendida inflação”.

“Embora os seguintes cruzados levaram esta consideração em conta e começaram a economizar muito antes de embarcar nesta empresa, o gasto seguia estando muito perto do proibitivo”, acrescenta.

Depois de recordar que o que alguns estimavam que as Cruzadas iam custar era “uma meta impossível de ser alcançada”, o historiador assinala que “muito poucos se enriqueceram com as cruzadas, e seus números foram diminuídos sobremaneira pelos que empobreceram. Muitos na idade Média eram muito conscientes disso e não consideraram as cruzadas como uma maneira de melhorar sua situação financeira”.

O Beato Papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada. acumulou de graças e privilégios espirituais aos cruzados, e afastou os interesses mundanos.
O Beato Papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada.
acumulou de graças e privilégios espirituais aos cruzados,
e afastou os interesses mundanos.
Terceiro mito: “os cruzados foram um bloco cínico que em realidade não acreditava nem em sua própria propaganda religiosa, senão que tinham outros motivos mais materiais”

Este, assinala o perito historiador em seu artigo, “foi um argumento muito popular, ao menos desde Voltaire. Parece acreditável e inclusive obrigatório para gente moderna, dominada pela perspectiva do mundo materialista”.

Com uma taxa de mortes que chegava perto de 75 por cento dos que partiam, com uma expectativa de voltar financeiramente quebrado e não poder sobreviver, como foi que a predicação funcionou de tal forma que mais pessoas se unissem?, questiona o historiador.

Crawford responde explicando que “as cruzada eram apelantes precisamente porque era uma tarefa dura e conhecida, e porque empreender uma cruzada pelos motivos corretos era entendido como uma penitência aceitável pelo pecado. Longe de ser uma empresa materialista, a cruzada não era prática em termos mundanos, mas valiosa para a alma”.

“A cruzada era o exemplo quase supremo desse sofrimento complicado, e por isso era uma penitência ideal e muito completa”, acrescenta.

O historiador indica logo que “com o complicado que pode ser para que as pessoas na atualidade acreditem, a evidência sugere fortemente que a maioria dos cruzados estavam motivados pelo desejo de agradar a Deus, expiar seus pecados e colocar suas vidas ao serviço do ‘próximo’, entendido no sentido cristão”.

Saladino. A propaganda anticatólica contra as Cruzadas omite os cruéis crimes praticados pelos muçulmanos.
Saladino. A propaganda anticatólica contra as Cruzadas
omite os cruéis crimes praticados pelos muçulmanos.
Quarto mito: “os cruzados ensinaram aos muçulmanos a odiar e atacar a cristãos”

Outra vez, esclarece Paul Crawford, que nada está mais afastado da verdade.

O historiador assinala que “até muito recentemente, os muçulmanos recordavam as cruzadas como uma instância na que tinham derrotado um insignificante ataque ocidental cristão”.

A primeira história muçulmana sobre as cruzadas não apareceu senão até 1899. Por isso então, o mundo muçulmano estava redescobrindo as cruzadas, “mas o fazia com um giro aprendido dos ocidentais”.

“Ao mesmo tempo, o nacionalismo começou a enraizar-se no mundo muçulmano. Os nacionalistas árabes tomaram emprestada a ideia de uma longa campanha europeia contra eles da escola europeia antiga de pensamento, sem considerar o fato de que constituía realmente uma má representação das cruzadas, e usando este entendimento distorcido como uma forma para gerar apoio para suas próprias agendas”.

Então, precisa o Dr. Crawford, “não foram as cruzadas as que ensinaram o Islã a atacar e odiar os cristãos. Os fatos estão muito longe disso. Essas atividades tinham precedido as cruzadas por muito tempo, e nos conduzem até à origem do Islã. Em vez disso, foi Ocidente quem ensinou o Islã a odiar as Cruzadas. A ironia é grande”.

Bibliografia:
  1. Warren Hollister, J. Sears McGee, and Gale Stokes, The West Transformed: A History of Western Civilization, vol. 1 (New York: Cengage/Wadsworth, 2000), 311.
  2. R. Scott Peoples, Crusade of Kings (Rockville, MD: Wildside, 2009), 7.
  3. Ibid.
  4. The Crusades: Campaign Sourcebook, ed. Allen Varney (Lake Geneva, WI: TSR, 1994), 2.
  5. Sir Steven Runciman, A History of the Crusades: Vol. III, The Kingdom of Acre and the Later Crusades (Cambridge: Cambridge University Press, 1954), 480.
  6. Francesco Gabrieli, The Arabs: A Compact History, trans. Salvator Attanasio (New York: Hawthorn Books, 1963), 47.
  7. Reynald of Châtillon’s abortive expedition into the Red Sea, in 1182–83, cannot be counted, as it was plainly a geopolitical move designed to threaten Saladin’s claim to be the protector of all Islam, and just as plainly had no hope of reaching either city.
  8. “The Version of Baldric of Dol,” in The First Crusade: The Chronicle of Fulcher of Chartres and other source materials, 2nd ed., ed. Edward Peters (Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1998), 32.
  9. Ibid., 220–21.
  10. Fred Cazel, “Financing the Crusades,” in A History of the Crusades, ed. Kenneth Setton, vol. 6 (Madison, WI: University of Wisconsin Press, 1989), 117.
  11. John Porteous, “Crusade Coinage with Greek or Latin Inscriptions,” in A History of the Crusades, 354.
  12. “A memorandum by Fulk of Villaret, master of the Hospitallers, on the crusade to regain the Holy Land, c. 1305,” in Documents on the Later Crusades, 1274–1580, ed. and trans. Norman Housley (New York: St. Martin’s Press, 1996), 42.
  13. Norman Housley, “Costing the Crusade: Budgeting for Crusading Activity in the Fourteenth Century,” in The Experience of Crusading, ed. Marcus Bull and Norman Housley, vol. 1 (Cambridge: Cambridge University Press, 2003), 59.
  14. John France, Victory in the East: A Military History of the First Crusade (Cambridge: Cambridge University Press, 1994), 142. Not all historians agree; Jonathan Riley-Smith thinks it was probably lower, though he does not indicate just how much lower. See Riley-Smith, “Casualties and Knights on the First Crusade,” Crusades 1 (2002), 17–19, suggesting casualties of perhaps 34 percent, higher than those of the Wehrmacht in World War II, which were themselves very high at about 30 percent. By comparison, American losses in World War II in the three major service branches ranged between about 1.5 percent and 3.66 percent.
  15. The ‘Templar of Tyre’: Part III of the ‘Deeds of the Cypriots,’ trans. Paul F. Crawford (Burlington, VT: Ashgate, 2003), §351, 54.
  16. Jonathan Riley-Smith, The Crusades, Christianity, and Islam (New York: Columbia University Press, 2008), 36.
  17. John 15:13.
  18. Jonathan Riley-Smith, “Crusading as an Act of Love,” History 65 (1980), 191–92.
  19. Letter from T. E. Lawrence to Robert Graves, 28 June 1927, in Robert Graves and B. H. Liddell-Hart, T. E. Lawrence to His Biographers (Garden City, NY: Doubleday, 1938), 52, note.
  20. Riley-Smith, The Crusades, Christianity, and Islam, 71.
  21. Jonathan Riley-Smith, “Islam and the Crusades in History,” Crusades 2 (2003), 161.
  22. Carole Hillenbrand, The Crusades: Islamic Perspectives, (New York: Routledge, 2000), 20.
  23. Riley-Smith, Crusading, Christianity, and Islam, 73.
  24. There is some disagreement in the primary sources on the question of who was responsible for the deaths of these refugees; the crusaders knew that a large Egyptian army was on its way to attack them, and there does seem to have been a military decision a day or two later that they simply could not risk leaving potential enemies alive. On the question of the massacre, see Benjamin Kedar, “The Jerusalem Massacre of July 1099 in the Western Historiography of the Crusades,” Crusades 3 (2004), 15–75.
  25. France, Victory in the East, 355–56.
  26. Raymond of Aguilers, in August C. Krey, The First Crusade: The Accounts of Eye-witnesses and Participants (Princeton: Princeton University Press, 1921), 262.
  27. Revelation 14:20.



GLÓRIA CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 1

São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,  foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)
São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,
foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)




O historiador Dr. Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), é outro dos especialistas que desmentiram os falsos mitos anticatólicos sobre as Cruzadas.

Seu trabalho apareceu originalmente na edição de primavera da 2011 da Intercollegiate Review, sob o título “Four Myths about the Crusades”, e foi divulgado, entre outros por ACIDigital.

Ele denunciou que com frequência “as cruzada são mostradas como um episódio deploravelmente violento no qual libertinos ocidentais, que não tinham sido provocados, assassinavam e roubavam muçulmanos sofisticados e amantes da paz, deixando padrões de opressão escandalosa que se repetiriam na história subsequente”.

“Em muitos lugares da civilização ocidental atual, esta perspectiva é muito comum e demasiado óbvia para ser rebatida”, prossegue.

Prof.Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia
Prof.Paul F. Crawford
do Departamento de História
e Ciências Políticas
da Universidade de Califórnia
- Pensilvânia
Entretanto, precisa o perito autor do livro “The Templar of Tyre”, a “unanimidade não é garantia de precisão. O que todo mundo ‘sabe’ sobre as cruzadas poderia, de fato, não ser certo”.

Seguidamente rebate, um por um, quatro mitos fundamentais que terminam por mostrar algo que, em realidade, não foram as Cruzadas.

Primeiro mito: “as cruzadas representaram um ataque não provocado de cristãos ocidentais contra o mundo muçulmano”

Crawford assinala que “nada poderia estar mais longe da verdade, e inclusive uma revisão cronológica esclareceria isso.

No ano 632, Egito, Palestina, Síria, Ásia Menor, o norte da África, Espanha, França, Itália e as ilhas da Sicilia, Sardenha e Córsega eram todos territórios cristãos.

Os crimes dos muçulmanos causaram horror no mundo civilizado.  Massacre dos peregrinos de Pedro o Ermitão
Os crimes dos muçulmanos causaram horror no mundo civilizado.
Massacre dos peregrinos de Pedro o Ermitão
Dentro dos limites do Império Romano, que ainda era completamente funcional no Mediterrâneo oriental, o cristianismo ortodoxo era a religião oficial e claramente majoritária”.

Por volta do ano 732, um século depois, os cristãos tinham perdido a maioria desses territórios e “as comunidades cristãs da Arábia foram destruídas completamente em ou pouco tempo depois do ano 633, quando os judeus e os cristãos de igual maneira foram expulsos da península. Aqueles na Pérsia estiveram sob severa pressão. Dois terços do território que tinha sido do mundo cristão eram agora regidos por muçulmanos”.

O que aconteceu, explica o perito, a maioria das pessoas sabem mas só lembra quando “recebem um pouco de precisão”:

“A resposta é o avanço do Islã. Cada uma das regiões mencionadas foi tomada, no transcurso de cem anos, do controle cristão por meio da violência, através de campanhas militares deliberadamente desenhadas para expandir o território muçulmano a custa de seus vizinhos. Mas isto não deu por concluído o programa de conquistas do Islã”.

A invasão das terras cristãs pelos maometanos foi sinônimo de crimes de massa hediondos, incêndios, pilhagens, escravidão e violação generalizada do Direito. Na gravura: Saladino manda incendiar uma cidade
A invasão das terras cristãs pelos maometanos
foi sinônimo de crimes de massa hediondos, incêndios,
pilhagens, escravidão e violação generalizada do Direito.
Na gravura: Saladino manda incendiar uma cidade.
Chroniques de Guilhaume de Tyr, BNF.
Os ataques muçulmanos contra os cristãos seguiram já não só nessa região mas contra a Europa, especialmente Itália e França, durante os séculos IX, X e XI, o que fez que os bizantinos, os cristãos do Império Romano do Oriente, solicitassem ajuda aos Papas.

Foi Urbano II quem enviou as primeiras cruzadas no século XI, depois de muitos anos de ter recebido o primeiro pedido.

Para o Dr. Crawford, “longe de não terem sido provocadas, então, as cruzadas realmente representam o primeiro grande contra-ataque do Ocidente cristão contra os ataques muçulmanos que se deram continuamente desde o início do Islã até o século XI, e que seguiram logo quase sem cessar”.

Quanto a este primeiro mito, o perito faz uma singela afirmação para entender um pouco melhor o assunto: “basta perguntar-se quantas vezes forças cristãs atacaram Meca. A resposta é obvia: nunca”.


Continua no próximo post: Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas não resistem à crítica histórica – 2


GLÓRIA CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

segunda-feira, 30 de março de 2015

Balduíno IV é enterrado ao pé do Gólgota, junto ao Santo Sepulcro

Raimundo de Tripoli nomeado regente. BNF Français 2824, fol. 162v
Raimundo de Tripoli nomeado regente.
BNF Français 2824, fol. 162v

continuação do post anterior: Quase cego e imobilizado, Balduíno IV volta a vencer Saladino e a inépcia dos vassalos


Os últimos meses do reinado de Balduíno IV quase viram estourar uma guerra civil sob o olhar inimigo.

Guy de Lusignan aproveitou-se de uma ausência de Balduíno para correr até Jerusalém, onde estava Sibila, e levá-la consigo antes do retorno do rei.

Refugiou-se com ela em seu feudo de Jaffa-Ascalon e recusou atender às ordens do rei, que lhe exigia comparecer na sua presença. Foi então luta aberta.

O rei marchou sobre Ascalon, cujas portas encontrou fechadas. Mas conseguiu tomar Jaffa. Em seguida reuniu um “parlamento” em São João de Acre, para acabar com o rebelde.

O patriarca Heráclio e o Grande Mestre do Templo tentaram interceder por ele.

Mas Guy tornava desmerecido o perdão também pelo fato de ser culpado por uma ação abominável.

Nas circunvizinhanças de Ascalon viviam beduínos nômades, tributários e ‘clientes’ do rei. Eles faziam pastar seus rebanhos com toda confiança quando, para causar dano ao soberano, Guy se jogou sobre eles e os massacrou.

A cólera de Balduíno IV diante desse ato de felonia foi terrível. Ele acabou então confiando todo o seu poder ao conde de Trípoli, inimigo de Lusignan (1185).

Já não havia mais tempo, os acontecimentos se precipitavam. O rei leproso deitou-se, para nunca mais se levantar.

Ele mandou chamar os grandes vassalos e, diante deles, renovou sua vontade de deixar a regência ao conde até a maioridade do jovem Balduíno V.

O príncipe heroico, cujo reinado não foi senão uma lenta agonia, entregou sua alma a Deus em 16 de março de 1185.

Considerando-se que ele tinha apenas 24 anos e tudo o que pôde realizar durante esses breves anos a despeito da lepra, de sua impotência e cegueira finais, fica-se tomado de respeito e de admiração.

Balduíno V de Jerusalém
Balduíno V de Jerusalém
Ele soube manter até seu último suspiro a autoridade monárquica e a integridade do reino, e soube morrer como rei.

As crônicas evocam a dramática cena em que, vendo aproximar-se seu fim, ele convocou diante de si todos os grandes do Reino.

“Antes de morrer, ele ordenou a todos seus vassalos para se apresentarem em Jerusalém. E vieram todos, e, quando ele partiu deste século, todos presenciaram sua morte”.

Da mesma maneira que os cronistas francos, os historiadores árabes se inclinaram diante de sua lembrança.

“Esse menino leproso soube fazer respeitar sua autoridade”, escreveu el-Imâd de Ispahan como que com uma saudação de espada.

Estoica e dolorida figura, talvez a mais nobre da história das Cruzadas, cujo heroísmo tocava na santidade. Nem as pústulas nem as crostas que a cobriam foram capazes de dobrá-la; efígie pura de rei francês que eu gostaria colocar ao lado de um São Luís IX.

Liberado de seu longo martírio, o rei leproso foi sepultado junto do Gólgota e do Santo Sepulcro, onde morreu e repousou o Homem das Dores por excelência – Deus.

(Autor: René Grousset, de l’Académie française, “L’épopée des Croisades”, Perrin, Paris, 2002, 321 páginas, pp 171 e ss. Excertos).

FIM DA SÉRIE



GLÓRIA CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS